quinta-feira, 23 de março de 2017

COMPANHIA GERAL DA AGRICULTURA DAS VINHAS DO ALTO DOURO III

6.27.3 – Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro - Região Demaracada do Douro e suas alterações, Marcos Pombalinos, Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, Tabernas do Porto



Mapa da região demarcada do Douro pelo Barão de Forrester - 1842

“As origens da região demarcada do Alto Douro remontam a 1756, ano em que o ministro de D. José I, Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) fundou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro.
Com efeito, em 10 de Setembro de 1756, no âmbito da política pombalina de fomento económico e reorganização comercial do país, de inspiração mercantilista, assente na formação de várias companhias monopolistas e privilegiadas, foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, destinada a garantir e promover, de forma articulada, a produção e comercialização dos vinhos do Alto Douro, a travar a concorrência de outros vinhos portugueses de inferior qualidade, a limitar o predomínio e mesmo o controlo desta actividade económica pelos ingleses e, logicamente, a aumentar os rendimentos da Coroa provenientes do comércio dos vinhos do Alto Douro, que vieram a ser uma das maiores fontes de receita do Estado português.


Marco Pombalino de Barqueiros

De acordo com os estatutos da Companhia, deviam separar-se “inteira e absolutamente para o embarque da América e reinos estrangeiros os vinhos das costas do Alto Douro e do seu território de todos os outros vinhos, dos lugares que somente os produzem capazes de se beber na terra, para que desta sorte a inferioridade destes vinhos não arruíne a reputação que aqueles merecem pela sua bondade natural”. Daí a necessidade de se elaborar um mapa ou tombo geral das duas costas, setentrional e meridional do rio Douro, no qual se demarcou “todo aquele território que produz os verdadeiros vinhos de carregação, que são capazes de sair pela barra do mesmo rio”.
A demarcação consistiria em inventariar os terrenos produtores do “vinho de carregação”, estabelecendo a produção regular de cada um, de acordo com “uma estimação comum ou média, calculada pelas produções dos últimos cinco anos próximos pretéritos”, de modo a impedir-se a venda de mais vinho do que o estabelecido desta forma. Simultaneamente, proibia-se a entrada de vinho de fora da demarcação, o qual só poderia circular com guias passadas pelas autoridades municipais e fiscalizadas pelos funcionários da Companhia, de modo a evitar a sua venda como vinho de embarque, impedindo a lotação com outros. Ficava, assim, proibida a exportação para Inglaterra de vinhos de fora da demarcação, bem como da lotação destes com vinhos de ramo, só se permitindo a exportação de vinhos mais caros, que correspondessem aos vinhos de feitoria ou vinho fino.
A demarcação do Alto Douro, ainda em 1756, foi considerada prioritária pelo próprio Sebastião José de Carvalho e Melo que, por aviso de 6 de Setembro desse ano, determinava que marchassem “logo” para o Alto Douro, com tal missão, os deputados da Junta da Administração da Companhia, Manuel Rodrigues Braga e José Monteiro de Carvalho.
As dificuldades, contudo, porque passou a Companhia nos últimos meses do ano de 1756, devido às resistências e à hostilidade desenvolvidas por parte da burguesia portuense de negócios e dos negociantes ingleses radicados na cidade, apostados em boicotar a saída dos barcos fretados pela Companhia e carregados com vinhos, aguardentes e vinagres destinados ao Brasil, assim como o motim do Porto de Fevereiro de 1757 contra a recém-criada Instituição, impediram que qualquer diligência se desenvolvesse no sentido de se proceder à demarcação pombalina do Alto Douro.
Fica assim claro, desde já, que a intenção de se efectuar a demarcação do Alto Douro é de 1756, mas a sua concretização só vai iniciar-se em 1757.
Por aviso de 28 de Julho de 1757, Carvalho e Melo manda demarcar “as duas costas do rio Douro e os respectivos terrenos que produzem diferentes qualidades de vinhos”, de forma a terminarem as “desordens” provocadas pela “confusão” existente entre vinhos bons e maus, encarregando o sargento-mor de infantaria Francisco Xavier do Rego de levantar as “costas” do rio Douro e nomeando para dirigir tal operação o desembargador Inácio de Sousa Jácome Coutinho, procurador fiscal da Companhia, e os dois deputados provadores da Companhia, Manuel Rodrigues Braga e José Monteiro de Carvalho, e convidando ainda Diogo Archibold, de nação inglesa, para testemunhar a boa-fé com que se ia proceder na separação dos terrenos do vinho tinto para o comércio da Europa do Norte, dos terrenos de vinhos destinados ao Brasil e ao consumo interno. 


Ainda nesse ano, porém, esta primeira demarcação foi anulada, uma vez que, como refere a carta régia de 20 de Setembro de 1758, a comissão demarcante tinha ultrapassado as instruções régias que deviam orientar aquele trabalho. Em Outubro de 1758 dá-se início à nova demarcação do Alto Douro, com nova comissão formada pelos desembargadores Manuel Gonçalves de Miranda e Luís de Morais Seabra e Silva, pelos deputados e conselheiros da Companhia, Pedro Pedrossem da Silva, Manuel Rodrigues Braga, Gaspar Barbosa Carneiro e Brás de Abreu Guimarães, e por Francisco Xavier do Rego com seus ajudantes.
Em Novembro de 1758, a demarcação das duas costas do rio Douro, com a indicação dos terrenos que produziam diferentes qualidades de vinhos pagos a preços distintos, foi terminada.
Nos anos seguintes, atendidas pelo Governo e instruídas pela Companhia, surgiram inúmeras reclamações dos proprietários do Alto Douro que se sentiam lesados com a demarcação, o que deu origem à revisão de todo este processo, que se deu encerrado, com carácter definitivo, em Outubro de 1761.


Esta demarcação dos terrenos produtores de vinhos de embarque, por alvará de 16 de Janeiro de 1768, foi alargada aos terrenos produtores de vinhos de ramo, com o objectivo de se controlar a produção e evitar a sua introdução na área demarcada do vinho de embarque, passando assim a haver duas demarcações distintas, a de vinho de embarque e a de vinho de ramo.
A arbitrariedade da demarcação fez com que nos terrenos demarcados para vinho da feitoria ficassem incluídas vinhas que produziam “péssimos vinhos, por estarem situadas em terrenos avessos e em vales baixos”, como em Lobrigos e Santa Marta, e que vinhos muito superiores como em Guiães, Galafura e Gouvães fossem reduzidos a vinho de ramo. Esta “desigualdade irremediável” e a “cobiça de aumentar o cabedal” fizeram com que muitos lavradores, clandestinamente, introduzissem as uvas ou vinho de ramo no distrito da demarcação do vinho de feitoria, dando origem a fraudes que alimentaram durante dezenas de anos as devassas no Alto Douro.


O aumento da exportação do Vinho do Porto a partir de 1774, e sobretudo no ano de 1787, vai dar origem, por aviso de 6 de Março de 1788, a nova demarcação, conhecida por demarcação mariana ou subsidiária, a qual, basicamente, ficou concluída em 1791, apesar de até 1801 ainda se ter registado um alargamento da área demarcada.
As demarcações referidas, sobretudo as pombalinas, muito contestadas pelos lavradores não contemplados nas mesmas, nunca impediu que, avulsamente, por ordens régias fundamentadas nas consultas da Companhia, outras propriedades se fossem juntando às propriedades demarcadas, por vezes sem qualquer continuidade geográfica relativamente à área demarcada. E que vinhos de outras regiões fossem adquiridos pela Companhia ao preço dos vinhos de embarque, como os vinhos do próprio Carvalho e Melo, das suas propriedades em Oeiras, e de João de Almada, primo daquele ministro, das suas propriedades de Monção.
Por aviso de 10 de Dezembro de 1823, a Companhia procedeu ao apuramento das propriedades que, pela qualidade dos seus vinhos, mereciam ser incluídas ou excluídas no território da demarcação e, na sequência de outro aviso, de 2 de Agosto de 1824, a Junta remeteu ao Governo o plano de uma nova demarcação, mas não teve qualquer seguimento.


A região demarcada alargava-se por 67 freguesias das duas margens do rio Douro – predominantemente, da província de Trás-os-Montes –, passando, com a demarcação subsidiária, a incluir mais uma freguesia.
A região vinícola demarcada do Alto Douro conheceu sucessivos alargamentos no século XIX, de tal modo que em 1907 chegou até à fronteira com a Espanha. No ano seguinte, porém, deu-se uma redução da área produtora do Vinho do Porto, de tal modo que, na sequência do decreto de 10 de Dezembro de 1921, podemos afirmar que a região demarcada do Alto Douro passou a corresponder, praticamente, àquela que ainda hoje permanece.
Considerada por François Guichard “a primeira demarcação no mundo de uma zona de denominação de origem controlada no sentido contemporâneo do termo”, a demarcação pombalina, que nunca correspondeu a qualquer entidade administrativa, acabou por conceder à região do Alto Douro, como sublinhou Gaspar Martins Pereira, uma identidade própria que veio até aos nossos dias. In Espólio fotográfico Português, ciclo do vinho do Porto

Espólio fotográfico português – Ciclo do vinho do Porto – descrição e centenas de fotografias do Douro – Foto Beleza


Na segunda metade de Oitocentos, um conjunto de factores conjuga-se para marcar o ponto de viragem do Douro pombalino para o Douro contemporâneo, promovendo profundas mudanças na viticultura duriense. Depois das destruições provocadas nos anos cinquenta pelo oídio, é a filoxera que, a partir da década seguinte, reduz a mortórios grande parte do vinhedo da área demarcada. Em 1865, a instauração do regime de liberdade comercial constitui, de facto, ao nível regional, a abertura da linha de demarcação, permitindo a expansão rápida do vinhedo no Douro Superior, onde o ataque da filoxera foi mais tardio e menos violento.
Surgem novas práticas de preparação do terreno, alteram-se as práticas de plantação da vinha, seleccionam-se as melhores castas regionais para enxertia, difunde-se a utilização racional de adubos e fito - sanitários, aperfeiçoam-se os processos de vinificação...
No final do século, é bem visível o impacto da filoxera no reordenamento do espaço regional.
Aos poucos reorganizado e estendendo-se agora a uma área muito maior, o vinhedo duriense contará, a partir de finais dos anos oitenta, com um outro inimigo, bem mais destruidor que as doenças da videira - a crise comercial. Paralelamente, a fraude. As imitações de vinho do Porto tornam-se frequentes nos nossos principais mercados, onde se vendem os French Ports, os Hamburg Ports, os Tarragona Ports, por preços inferiores aos genuínos Port Wínes.
Crise comercial, crise da lavoura, o Douro era um retrato de miséria.
Ao iniciar o seu governo de ditadura, a 10 de Maio de 1907, João Franco assinava um decreto que vinha regulamentar a produção, venda, exportação e fiscalização do vinho do Porto, regressando aos princípios que nortearam, 150 anos antes, a política pombalina de defesa da marca. Foi novamente demarcada a região produtora, abarcando agora o Douro Superior. Restabelecia-se o exclusivo da barra do Douro e do porto de Leixões para a exportação dos vinhos do Porto, reservando-se a denominação de Porto para os vinhos generosos da região do Douro, com graduação alcoólica mínima de 16,5º. A protecção e fiscalização da marca ficavam a cargo da Comissão de Viticultura da Região do Douro.
Em contrapartida, o decreto de 27 de Junho, que veio regulamentar o comércio das aguardentes, proibia a destilação dos vinhos durienses, obrigando o Douro a receber de outras regiões vitícolas a aguardente para beneficiação dos seus vinhos, facto que motivou violenta contestação. O alargamento excessivo da área de demarcação suscitou também viva polémica. No ano seguinte, o governo do Almirante Ferreira do Amaral (decreto de 27 de Novembro) iria optar pela demarcação por freguesias, reduzindo a área produtora de vinho do Porto praticamente ao espaço da actual demarcação (dec. - Lei de 26 de junho de 1986), que corresponde à que foi estabelecido pelo decreto de 10 de Dezembro de 1921.
As exportações aumentaram a um ritmo nunca esperado, atingindo, em 1924/1925, mais de cem mil pipas, nível que só seria ultrapassado em finais da década de 1970.
Porém, a situação nas aldeias do Douro não parece ter sofrido melhorias significativas. A miséria e a fome agravavam-se com a subida dos impostos e dos preços dos produtos, no fim da Monarquia e durante a 1ª República. A agitação política e social do primeiro quartel do século XX marcou um dos períodos mais turbulentos da história do Douro. Manifestações, comícios, motins, incêndios de comboios com aguardente do Sul, assaltos a Câmaras e Repartições Públicas.
O novo regime nascido do levantamento militar de 28 de Maio de 1926 viria impor novas alterações na organização do comércio de vinho do Porto e da lavoura duriense, reforçando o intervencionismo estatal.


Rio Douro - gravura antiga

Logo em 1926, foi criado o Entreposto de Vila Nova de Gaia, que deveria funcionar como prolongamento da região produtora. Todas as empresas ligadas ao comércio do vinho passariam a ter aqui obrigatoriamente os seus armazéns de envelhecimento, acabando, na prática, com a comercialização directa, a partir do Douro.
Em 1932, o regime corporativo organizava os Grémios da Lavoura, com representação dos Sindicatos locais, constituídos pelos proprietários cabeças - de - casal. Por seu turno, os Grémios Concelhios passariam a associar-se na Federação Sindical dos Viticultores da Região do Douro - Casa do Douro, organismo encarregado de proteger e disciplinar a produção. Regulamentação posterior (decreto de 30 de Abril de 1940) atribui-lhe poderes para elaborar a actualização do cadastro, distribuir o benefício, fornecer aguardente aos produtores, fiscalizar o vinho na região demarcada e conceder as guias para os vinhos a serem transportados para o Entreposto de Gaia.
Em 1933, era organizado o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto, associação do sector comercial com as funções de zelar pela disciplina do comércio.
As actividades da Casa do Douro e do Grémio dos Exportadores passam a ser coordenadas pelo Instituto do Vinho do Porto, organismo criado nesse mesmo ano, com as funções de estudo e promoção da qualidade, fiscalização e propaganda do produto.
Foi actualizado o cadastro dos vinhedos. De acordo com a localização, as características do terreno, as castas e a idade da vinha, a Casa do Douro atribui anualmente a cada viticultor uma autorização para produzir uma quantidade de mosto determinada, a que corresponde uma certa qualidade (da letra A, o melhor, até à letra F) e um preço correspondente. É o sistema de benefício.
A partir dos anos 50, desenvolve-se o movimento cooperativo, que, nos inícios da década seguinte, abarcará cerca de 10% do número de produtores e da produção vinícola regional.
Após 1974, a organização corporativa é extinta, mas a Casa do Douro e o Instituto do Vinho do Porto mantêm as suas funções básicas de defesa da qualidade da marca. Por seu turno, o Grémio dos Exportadores deu lugar à Associação dos Exportadores do Vinho do Porto, que passou a designar-se, mais recentemente, Associação das Empresas de Vinho do Porto.
Entre as empresas exportadoras, tem-se verificado uma tendência para a concentração. Paralelamente, algumas dessas empresas têm realizado grandes investimentos na área da produção, adquirindo quintas e vinhedos, e fazendo novas plantações. Em movimento inverso, alguns produtores lançam-se, desde 1978, no circuito da comercialização directa, recuperando uma prática perdida em 1926. Em 1986, cria-se a Associação de Produtores Engarrafadores de Vinho do Porto, visando sobretudo a exportação directa, a partir das quintas do Douro, em nome dos respectivos produtores.


Em 1995, a região Demarcada do Douro viu alterado o seu quadro institucional. Passou a estar dotada de um organismo interprofissional, - a Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro (CIRDD), no qual tinham assento, em situação de absoluta paridade, os representantes da lavoura e do comércio, com o objectivo comum de disciplinar e controlar a produção e comercialização dos vinhos da região com direito a denominação de origem. As alterações introduzidas respeitaram, contudo, as especificidades históricas, culturais e sociais da região, seguindo as linhas orientadoras da lei - quadro das regiões demarcados vitivinícolas. Duas secções especializadas compunham o Conselho Geral da CIRDD determinando as regras aplicáveis a cada uma das denominações: uma relativa à denominação de origem "Porto" e outra aos restantes vinhos de qualidade ("vqprd") da região.
Este modelo veio a sofrer nova alteração em 2003, com a substituição da CIRDD por um Conselho Interprofissional integrado no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto. Autor: Gaspar Martins Pereira - In site ivdp.pt




Uma das consequências da instauração da Companhia foi a grande reforma no número e qualidade as tabernas. 
Segundo vários autores haveria entre 600 a 1000 o que tornava impossível a sua fiscalização pela edilidade e o povo era o mais prejudicado. Era habitual vender-se o pior vinho, misturado com várias mixórdias e água, pelo maior preço possível.
Assim a câmara decidiu reduzir o seu número para cerca de 100, espalhando-as pelo centro e arredores do Porto desse tempo.
Obviamente esta medida desagradou a muito boa gente, especialmente aos comerciantes e vendedores de vinho por grosso. Também os ingleses não se mostraram nada contentes. 
Veremos, mais adiante os tumultos, provocados pela instauração da Companhia, no Porto em Fevereiro de 1757.

Tascas do Porto

terça-feira, 21 de março de 2017

COMPANHIA GERAL DA AGRICULTURA DAS VINHAS DO ALTO DOURO - II

6.27.2 – Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro - Instituição da Companhia, D. José I, Marquês do Pombal, Região demarcada do Douro, Sedes da Companhia no Porto e Régua, Privilégios da Companhia, Exportações de Vinho do Porto até 1780 


10 de Setembro de 1756

O capital inicial foi de 1.200.000 cruzados (480.000$000). Em 1760 foi aumentado com mais 520.000 cruzados (208.000$000).


D. José I (1714-1777)


Marquês do Pombal (1699/1782) – Retrato publicado pela Companhia de Vinhos do Alto Douro

“…a partir de meados do séc. XVIII, as exportações estagnam, ao passo que a produção vinhateira parece ter continuado a crescer. Os preços baixam em flecha e os ingleses decidem não comprar vinhos, acusando os lavradores de promover adulterações. Esta crise comercial conduzirá, por pressão dos interesses dos grandes vinhateiros durienses junto do governo do futuro Marquês de Pombal, à instituição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 10 de Setembro de 1756. Com ela busca-se assegurar a qualidade do produto, evitando adulterações, equilibrar a produção e o comércio e estabilizar os preços. Procede-se à primeira «demarcação das serras». 


A região produtora é bordada por 335 marcos de pedra com a designação de Feitoria, designação que referendava o vinho da melhor qualidade, único que podia exportar-se para Inglaterra, vulgarmente conhecido por vinho fino. Define-se o conceito de cadastro. Site ivdp.pt


A primeira sede da Companhia situou-se na Rua Chã, em 10/9/1756, nas casas de Manuel de Figueiroa Pinto.



Mudou para a Rua das Flores onde adquiriu, ao mesmo proprietário, a nova sede em 1805. Tinha um andar nobre e na Viela, hoje Rua do Feraz, tinha lojas, capela, casa forte e quintal.


Entretanto já tinha comprado, em 1773, casas e armazéns com capacidade de 1200 pipas na Régua, junto ao Rio Douro e no Pinhão mais armazéns com capacidade de 1000 pipas e no Tua com 500 pipas. Até 1809 foi comprando vários armazéns e casas no Porto Gaia e Miragaia com capacidade máxima de 7.300 pipas. 
Instalou em Gaia as principais tanoarias.
Dado ter a exclusividade da produção de aguardente tinha, em 1809, 82 locais de destilação.



Selo da Companhia


Carimbo da Companhia




domingo, 19 de março de 2017

COMPAHIA GERAL DA AGRICULTURA DAS VINHAS DO ALTO DOURO - I


6.27.1 – Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro - Mapa da Região Demarcada do Barão de Forrester, Armazéns em Gaia do Barão de Forrester. Texto de ARC


Porto e Rio Douro cerca de 1820 – J. F. Schroter


O Barão de Forrester havia já, antes da criação da Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Al Douro, levantado o problema da gravíssima crise crise provocada pela perda de qualidade do Vinho do Porto, provocada pelos ingleses:


O Tripeiro, V Série, Ano II


O Barão de Forrester (1809 – 1861), cidadão inglês, veio para o Porto em 1831 para a empresa de vinhos de um tio. Estudou, escreveu e desenhou a Região Demarcada do Douro, tendo desenhado “ um minucioso, interessante e notável mapa de todo o curso do rio, desde a fronteira espanhola até ao Atlântico; outro da Região Vinhateira; um terceiro do leito e margens do Douro, mostrando os rápidos e as formações geológicas; e um quarto, do Oidium Tuckeri, essa característica e nauseabunda doença contraída pelas vinhas do Douro” (O Tripeiro V série, Ano II).


Mapa da região vinícola do Douro do Barão de Forrester


Viveu as lutas liberais, esforçando-se por não tomar partido por qualquer dos lados, e servindo de mediador entre os dois contendores. Lutou pela pureza do vinho do Porto, numa altura em que os ingleses o adulteravam usando em excesso água ardente, baga de sabugueiro e açúcar. Foi o primeiro inglês a apoiar a criação da Companhia. Foi feito Barão por D. Fernando II quando este era regente.




Legenda na gravura: "Interior de um armazém de vinho do Porto, em Gaia, na primeira metade do século XIX. Segundo um desenho original de J.J. Forrester".

Segue-se um extraordinário texto jornalístico que mostra bem a inteligência, administração e interesse pelos seus trabalhadores do Barão de Forrester: 
(30 de Agosto de 1854) - “Sabendo que o Sr. Forrester tinha estabelecido no seu armazém da Ermida em Vila Nova de Gaia um caminho-de-ferro por onde girava um carro acelerado construído convenientemente para o serviço das vasilhas, levado pela curiosidade que nos promovera objecto tão novo, fomos à morada do Sr. Forrester; e seguro da dignidade que caracteriza este cavalheiro solicitamos de S.Sª o mostrar-nos o seu armazém e a permitir-nos presenciar o trabalho pelo seu novo sistema. Não tínhamos a honra de contar-nos na tratabilidade do Sr. Forrester, e o nosso título de apresentação não passava do desejo, que assistia a uma pessoa, quase desconhecida deste patriótico comerciante. Faltávamos a um rigoroso dever se deixássemos de patentear como fôramos recebidos pelo Sr. Forrester, e pelo seu digno filho, da maneira que mais podia lisonjear-nos. Ss.Sª tiveram a nobre franqueza de mostrar-nos todo o seu estabelecimento, dando-nos civilizada e agradavelmente as necessárias explicações tendo nós a ocasião de ver que o novo mecanismo, que o Sr. Forrester apropriara ao seu armazém, aponta a passagem para o progresso naquela qualidade de trabalho. O armazém de um comprimento de perto de 500 palmos, é cortado no centro por uma linha férrea das dimensões usadas nos caminhos de ferro ordinários. Por esta linha, que separa os seis rumos, que comporta a capacidade do armazém, percorre o carro acelerado pelo impulso, que pode dar-lhe a força de um ou mais homens conforme a necessidade o exija. Este carro mandado construir de propósito na Inglaterra debaixo da inspecção do Sr. James, filho do Sr. Forrester, compõem-se de dois corpos, estando num deles colocado um guindaste, que levanta as pipas ou para o 2º ou 3º corpo, a fim de serem transportadas para o ponto que se queira ou para a altura do lote, a que seja necessário eleva-las. O serviço assim feito substitui o trabalho pelo menos de três quartas partes dos homens, que se empregavam e empregam no sistema antigo. As lotações e os benefícios fazem-se com tal celeridade que a grande conveniência do carro e do guindaste se torna evidentemente palpável. Para quem nos outros armazéns presencia a fadiga dos trabalhadores para fazer rolar as pipas levando-as a qualquer ponto determinado através do custoso impulso das mãos, vendo-as rojar pelo pavimento térreo com manifesta deterioração de todos os elementos, que as compõem, além dos grandes balanços, que o líquido sofre dentro da vasilha, estorvando a sua pronta depuração, não pode deixar de maravilhar-se que o Sr. Forrester achasse o segredo de acabar com estes inconvenientes tornando o serviço mais suave e reconhecidamente mais proveitoso para as vasilhas e líquidos armazenados. Para mais satisfazermos nossa curiosidade quisemos experimentar a impressão do movimento do carro através do carril de ferro, e com os nossos companheiros fizemos a carreira de toda a linha e fôramos perfeitamente surpreendidos, podendo fazer ideia, se bem que aproximada, do trânsito das locomotivas nas vias férreas, de que só temos visto a descrição. (Ainda não havia comboios em Portugal). Seria bem para desejar que os comerciantes de vinhos seguissem o exemplo do Sr. Forrester, aproveitando os grandes resultados, que a ciência da máquina oferece ao trabalho, dando assim uma prova de que os adiantamentos daquela ciência não passam infrutíferos para nós. Além da inovação do caminho-de-ferro, e do carro, que por ele percorre, que não pode alcançar todo o serviço a fazer no armazém, o Sr. Forrester introduziu no trabalho, que dirige, pequenos carros de mão adequados aos misteres. Os hoptrucks servem especialmente para transportar os cascos vazios, demandando apenas a pequena força de um rapaz. Uns de quatro rodas baixas, que se empregam na condução das pipas cheias para qualquer dos pontos dos terceiros rumos pelas diferentes coxias do armazém: e outros mais pequenos, que servem unicamente no trânsito ao vinho engarrafado, tendo a vantagem, além de se moverem com facilidade, serem construídos de modo tal, que a quebrar-se alguma das garrafas o vinho é recebido num depósito e aproveitado. Não há só a notar no armazém do Sr. Forrester as inovações, que deixamos mencionadas: além delas, a regularidade na colocação de todos os objectos para que apareçam de pronto quando necessários, concorre também muito para a singularidade do estabelecimento. As ferramentas e demais utensílios são todos no possível esmero do trabalho, não podendo deixar de promover um vantajoso resultado nas operações. Os utensílios, que se destinam à depuração das borras, são tão engenhosamente concebidos que produzem uma notável disparidade, comparados com os do sistema nos outros armazéns seguido. Os armazéns de Vila Nova não sendo de construção subterrânea, como o são em outros paises para ministrar aos líquidos a frescura de que necessitam, precisam de ser continuamente refrescados com água. Para esse refresco mandou o Sr. Forrester vir e emprega no seu armazém a bomba chamada force-pump, que o refresca e ao mesmo tempo as vasilhas que nele se acham, servindo também para bomba de incêndio. Para estimular os sentimentos dos trabalhadores e infundir-lhes os preceitos da moralidade, que devem guiar o homem em qualquer posição, que se encontre, o Sr. Forrester mandou escrever na porta do armazém os dois preceitos que devem dirigir a conduta dos operários - O mérito será premiado - o vício será punido - Praticando estas duas saudáveis máximas, o Sr. Forrester todos os sábados recompensa monetariamente o trabalhador ou trabalhadores, que de recompensa se tornem dignos durante a semana. Ao lado do armazém está a tanoaria, descobrindo-se nela o mesmo sistema de regularidade. O alimento dos trabalhadores é preparado em comum a troco de uma diminuta parte do salário a qual não excede a vinte réis diários, tendo assim aqueles por uma insignificante quantia um rancho excelente, muito mais barato e abundante do que o teriam feito por conta de cada um em particular, resultando, além desta vantagem do trabalhador a do Sr. Forrester que nos disse não prejudicar-se e conseguir para o trabalho o tempo que cada trabalhador perdia com o seu arranjo particular de comida, que pelo sistema adoptado se faz convenientemente por dous aprendizes da tanoaria ou do armazém. Os aprendizes não concorrem para o rancho, que o Sr. Forrester lhes manda ministrar gratuitamente, concedendo-lhes de mais quatro horas por dia para poderem ir à escola. O Sr. Forrester leva tanto a empenho de interessar os operários no seu estabelecimento que ele próprio vigia a cozinha, procurando por todos os modos que o rancho seja tanto quanto ser possa agradável aos trabalhadores. O vinho dado de bebedagem é dado regradamente; mas na precisa abundância, não sendo negado de modo algum, quando o exige o cansaço do trabalho. A economia na despesa é um feliz resultado de todas as combinações, em que a experiência do Sr. Forrester assentou o seu novo sistema. É assim que a boa práctica de administrar pode reunir as reciprocas vantagens do trabalhador e do dono do armazém. Parece-nos que devíamos a nossos leitores a descrição do que viramos, pois que ela não será indiferente a parte deles, que na especialidade se empregam no importante ramo do comércio do vinho.” In blog A Porta Nobre

quinta-feira, 16 de março de 2017

O AVIÃO III

6.26.12.3 - O Avião - Aeroporto de Pedras Rubras/Francisco de Sá Carneiro, Festival aéreo 1957, Metro chega ao aeroporto, Fotos aéreas do Porto, Tuk Tuk



Aeroporto de Pedras Rubras - 1947


DC3 Dakota – 1947


Aerogare e avião DC3 - 1947


Só em 1956 aterrou o primeiro avião vindo de fora do país. Em 1960 começou a primeira linha regular para Londres.


Festival no dia da Força Aérea – 1957 – aviões F84


1960 – Durante os primeiros anos do aeroporto de Pedras Rubras, aos domingos, havia muita gente que se deslocava das terras em redor, inclusive do Porto, para ir apreciar os aviões e esperançados por ver algum a descer ou subir.


Super Constelation – depois de 1957 – foto de Guido de Monterrey


Super Constelattion da TAP – 1962

Antonov An-124 in LPPR – esteve no Porto em 16-7-2013


Envelope comemorativo do 1º. Voo Porto-Rio de Janeiro – 3/4/1974

Porto visto do céu – maravilhoso vídeo de Luis Costa



Aeroporto Francisco de Sá Carneiro


O aeroporto F. S. C. foi considerado o melhor da Europa em 2007 e por mais três vezes ficou em terceiro lugar.

História do Aeroporto de Pedras Rubras/ Francisco de Sá Carneiro – José Rodrigues



Metro do Porto chega ao aeroporto

Aterragem de Boeing 737 – 800 no Aeroporto Francisco de Sá Carneiro 

Outra aterragem 

Prémio internacional 
Aeroporto do Porto eleito melhor da Europa em 2016 - JN 


Palácio de Cristal (o verdadeiro) - 1939

Porto visto do ar – Helder Afonso


Avenida dos Aliados em 1950 – multidão a rodear um largo espaço vazio – que se terá passado neste dia? Foto de Fernando Tavares Romão.


Passeio Alegre, Lawn tennis da Foz, Castelo da Foz


Serra do Pilar até ao mar – em 1º. Plano o Observatório – anos 50


Década de 70


Cantareira e Foz do Douro


Museu Soares dos Reis, Palácio de Cristal até ao mar…


Serra do Pilar


Foto Alberto Guedes


Belíssima foto de Ana Maria Pereira em O Porto é Lindo de Morrer


O Porto visto de drone – 2017 – belíssimo o efeito das luzes na Ponte Luis I - foto Armando Tavares


Maravilhosa fotografia de Manuel Paquete – Rua de 31 de Janeiro e Igreja de Santo Ildefonso


Praça Gonçalves Zarco e Avenida de Montevideu


Parque da Cidade – foto Cybercultura e Democracia online

Aterragem no aeroporto Francisco de Sá Carneiro


Vista aérea do Porto – estupenda foto 


O astronauta francês Thomas Pesquet partilhou, há poucos dias nas redes sociais Facebook e Twitter, uma fotografia do Porto tirada a mais de 400 quilómetros de altitude, desde a sua janela na Estação Espacial Internacional, a mais de 400 quilómetros de altitude.
"O astronauta da Agência Espacial Europeia é já conhecido por publicar com regularidade fotografias de vários locais e cidades do mundo, tendo mais de um milhão de seguidores no seu Facebook e cerca de 400 mil no Twitter.
"O Porto está em frente ao Atlântico e é um digno rival da capital portuguesa", escreveu Thomas Pesquet na publicação da fotografia no Facebook. Já no Twitter, o engenheiro aeroespacial definiu o Porto como a "cidade das pontes".
Antigo piloto comercial da Air France, Thomas Pesquet, de 38 anos, está no espaço desde 17 de novembro de 2016, partilhando a Estação Espacial Internacional com a astronauta norte-americana Peggy Whitson e o cosmonauta russo Oleg Novitsky. Até regressar em Maio à Terra, continuará a viajar a cerca de 28 mil quilómetros por hora e a partilhar mais imagens fantásticas como esta".



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