segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O AUTOMÓVEL - IV

6.26.9.5 - O automóvel IV - Racionamento da gasolina, Gasogéneo, Vendas de automóveis 1940/1950, Taxis Citroen, Bombas antigas




Durante a 2ª. Guerra os combustíveis foram racionados e os automóveis particulares pouco podiam circular. Houve também uma dada altura em que num dia andavam os carros pares e no outro os impares. Dado não haver importação a frota tornou-se mais velha e caduca. 
Pelas senhas acima podemos concluir que havia quem tivesse a regalia de poder circular muito, como o António Rocha Soares que lhe foi passada uma senha suplementar de 100 litros de gasolina utilizável entre 6 e 14/5/1945. 
Os médicos estavam autorizados a circular todos os dias.


Da revista Auto Hoje, nº. 1306 de 26/11/2014


Por força deste racionamento houve quem montasse um gasogénio pois assim poderia circular todos os dias. Recordo-me bem do Plymouth de meu avô (parecido com a foto acima). Era extremamente incómodo e lento. O “chauffeur” chegava cerca das 6 ou 7 da manhã para o carregar de carvão e acender e só depois de muito tempo e canseira o carro podia andar. Era um aparelho muito pesado, colocado na traseira (o que desequilibrava a condução) e cheirava mal.


In Auto Hoje de 25-1-2017   


Transporte privativo de fábricas têxteis do Porto e arredores.


Transportes dos produtos fabricados pela firma Ach. Brito e Claus 


Táxis Citroen “arrastadeira” na Avenida dos Aliados frente ao Banco Aliança – pegado o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.


A Socony- Vacuum foi posteriormente a Mobil e hoje a Exxon-Mobil – um saudoso Fiat Topolino – em frente à Igreja de S. Nicolau.


Na Praça da Liberdade existiu uma bomba de gasolina da Shell – a câmara ainda em construção – Avenida dos Aliados ainda não terminada – a torre é da Igreja da Trindade. O selo tem o carimbo de 2/3/1930 às 14 horas.


Edfor Grand Sport de Eduardo Ferreirinha - Motor: Dianteiro, Ford V8 preparado, 3.622 cc, pistões EFI “a turbulência”; Potência (cv): 90 a 100 cv; - Vel. Máx. (km/h): 160; Peso total (kg): 970; carroçaria – 150; Preço (contos): 55 (à época). Ver texto abaixo.


Arquitecto Mário Abreu – revista Panorama – inaugurada em 1941




Ambulância da Cª. de Seguros a Mundial – 1946 – por trás vê-se a Padaria Ribeiro na Praça Guilherme Gomes Fernandes


Rali de Miramar – 1949 –  um nosso amigo disse-nos que é um Allard e tem razão pelo que vi na internet.

Allard - Wikipedia
 https://en.wikipedia.org/wiki/Allard


Bomba Shell – anos 50


Posto da Shell na Avenida do Marechal Gomes da Costa, onde metíamos habitualmente gasolina - 1955


Evolução do preço da gasolina de 1960 a 2015

Recordámo-nos da gasolina custar 2$50, pouco mais de 1 cêntimo de Euro!!! 
Quando, em 1973, a gasolina subiu de 6$70 para 7$50 foi uma corrida tal aos postos de abastecimento que se esperavam horas na fila. Houve quem fosse para lá fazer malha ou coser peúgas  até lhe chegar a vez!



Baú antigo em chapa

Rua de Gonçalo Cristóvão antes da construção do viaduto – empregados camarários almoçando. Cada um trazia de casa uma marmita ou alguém da família lha ia levar ainda quente… quem hoje aceitaria fazer uma coisa dessas? Outros tempos, outros costumes - 1950


Cordoaria – 1950

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O AUTOMÓVEL III

6.26.9.4 - O automóvel III - Exposições de automóveis de 1914,1926,1930 e 1933, Automóveis no Porto, Táxis do Porto, Circulação pela direita 1/6/1928




Palácio de Cristal - I exposição automóvel de 1914

Desfile automóvel, Jardins do Palácio de Cristal e exposição automóvel de 1914 – Cinemateca Portuguesa - muito interessante


Rua de Sá da Bandeira – hora de grande azáfama – julgamos ser uma exposição de automóveis novos Citroen, para venda – 5 portas acima do Café Madrid era um stand desta marca.


Táxis na Avenida dos Aliados, cerca de 1930 

III exposição automóvel – Invicta Filmes - 1924 

11 marcas de automóveis portugueses 


Em 1 de Junho de 1928 o trânsito passou a fazer-se pela direita, tal como a Europa Continental.


Esta alteração de trânsito deve ter provocado grandes dificuldades de habituação aos condutores e, possivelmente, vários acidentes. Como exemplo aqui vai uma foto tirada na Suécia, no primeiro dia da mudança da regra nesse país.


Primeiro taxímetro - revista Auto Hoje 2-11-2016


Táxi Packard – 1905 
Assim que a indústria automóvel se foi desenvolvendo os táxis foram substituindo os trens. O primeiro táxi a circular no Porto iniciou a sua actividade em 8/5/1908.


Parque de táxis em Ermesinde

“Na foto pode ver-se do lado esquerdo, na paragem, um CE de bogies, série 270-277, e nas agulhas de saída da palmatória com destino ao Bolhão, um CE "Italiano", série 250-261 com um Atrelado "Fumista" série 18-20. A linha 9\\ era explorada nas horas de ponta entre o Bolhão (rua Fernandes Tomás) e Ermesinde-estação CP com carros Italianos e com atrelados de 2 eixos das séries 18-20 e 21-24; Os CE's isolados, e normalmente os de bogies a partir de 3 de Outubro de 1960 e até 16 Setembro de 1967 (ultimo dia de circulação de eléctricos na L9) faziam o serviço até à Praça como 9, e depois continuavam para Matosinhos como 1. No regresso ou terminavam na Areosa como 9\, ou em Ermesinde como 9”. Pedro Leite



O primeiro táxi com motor diesel de que nos lembramos foi o Mercedes 170D. Eram táxis de motor barulhento, ronceiro e deitavam muito fumo mal cheiroso. Tinha 38 cavalos de potência.


Quando os táxis eram todos Mercedes - 1950


1923 - foto Alvão


Palácio de Cristal – exposição automóvel de 1926


Palácio de Cristal – exposição automóvel de 1930


Palácio de Cristal – exposição automóvel de 1933



Lembrámo-nos de duas exposições de automóveis e do maravilhoso Austin Princess que me pareceu um Rolls-Royce. Foi o carro mais luxuoso produzido pela marca. Tinha motor de 3996 c.c. e foi produzido de 1947 a 1956.



Exposição de automóveis antigos –1971

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O AUTOMÓVEL II

6.26.9.3 - O automóvel II - Automóvel a vapor (!), O balão Lusitano, Oficinas de construção de automóveis, Publicidade automóvel



In O Tripeiro, Série V, Ano IX

Recordámos o que apresentámos sobre esta tragédia, que muito impressionou o Porto, no nosso lançamento de 14/1/2014, quando tratámos de “febre” balonista da nossa cidade: 


Belchior o aeronauta




Ascensão na Serra do Pilar


 Os 3 desaparecidos

O sucesso, o entusiasmo e a moda da subida em balão apossou-se do Porto e alguns corajosos e extravagantes decidiram também entrar nessa “corrida”. Os lugares preferidos para as subidas eram o Palácio de Cristal, e as praças de touros da Serra do Pilar e da Rua da Alegria. Em 1903 o francês Emile Carton acedeu a levar consigo, no seu balão Mariposa, um entusiasta do balonismo, tendo-lhe dado noções de como dirigir o balão. Era o farmacêutico gaiense Belchior Fernandes da Fonseca. A “paixão” foi tal que convenceu o seu amigo a vender-lho, tendo tido a contribuição dos seus parceiros Cesar Marques dos Santos (o menino d’ouro) e engº. José António de Almeida. Deram-lhe o nome de “Lusitano”. Com a presença de multidões subiram 3 vezes, tendo terminado o voo em diferentes lugares. O Belchior, muito senhor de si, afirmava já ter conhecimentos suficientes para mais ascensões. Tendo sido prevenido por Franz Burmester do perigo de ser levado, por ventos em altitude, para o mar, não levou em consideração tais avisos, afirmando mesmo “considero estes ares como meus”. Marcou uma nova ascensão para 21 de Novembro de 1903 em que embarcaram os seus sócios. Tendo subido muito correctamente, dirigiu-se para Sul. Sobre Vila Nova de Gaia, repentinamente virou a oeste, desaparecendo sobre o Atlântico. Ainda foram enviados vários barcos em seu socorro, mas nunca mais os seus corpos foram encontrados. 
Esta tragédia foi, durante muito tempo, motivo de conversa e de notícias nos jornais do Porto. Havia quem comparasse os três desaparecidos a D. Sebastião, pois muitas vezes corria o boato que alguém os tinha visto ou sabia onde se encontravam. Os ceguinhos,á porta do mercado do Anjo, cantavam, em voz triste, as quadras do Fado do Belchior!


Da revista Auto Hoje, nº. 1255 de 4/12/2013



Da revista Auto Hoje, nº. 1255 de 4/12/2013


In Auto Hoje – nº. 1290



1910



Foto do blog Restos de Colecção

João Garrido teve estabelecimento de motociclos e triciclos a motor na Rua de Passos Manuel a partir de 1891. O seu técnico era Benedito Ferreirinha. Construíram um protótipo, com motor da francesa Aster, em 1899. Serviu como publicidade à sua garagem e teria outros clientes senão aparecessem marcas estrangeiras feitas em série. Uma delas, a que acima nos referimos, foi representada no Porto por este estabelecimento a partir de 1901. Em 1906 fundou a Auto-Palace na Avenida Rodrigues de Freitas. Representou no Porto várias outras marcas. 



1910


1928


1928



1928




1929


1930


Publicidade ao Fiat 521 – 1930 – o stand ficava na Rua de Santa Catarina


O primeiro carro fabricado em linha de montagem


Auto Agência do Bolhão – construção de carrocerias e estofador


Daimler construído na Auto-Agência do Bolhão


Recordámo-nos bem do Studebaker Champion de 1954 que fez grande sucesso porque era igual, de perfil, à frente e atrás.