sábado, 29 de dezembro de 2012

BAIRROS DA CIDADE - XXV

 
2.3.5 - Bairro de Vila Nova
 
 
 
A origem de Vila Nova de Gaia remonta provavelmente a um castro Celta. Durante o Império Romano tomou o nome de Cale. Após a conquista e pacificação dos territórios a Sul do Douro, por volta de 1035 e a expulsão das populações muçulmanas, que deixaram terras férteis, a zona foi novamente ocupada por colonos que refundaram Cale. Em 1383 Gaia e Vila Nova foram integradas no julgado do Porto, que ia do Douro até ao Padrão, hoje Santo Ovídio. No final das guerras liberais, em 20/7/1834 foi criado o concelho de Vila Nova de Gaia.
 
 
Capela do Senhor do Padrão ou de Santo Ovídio
 
 
 
“Na Paróquia de Santo Ovídio, da freguesia gaiense de Mafamude, existe festa anual, durante muito tempo com feira anual, a qual tem lugar no primeiro domingo de Setembro, no largo de Estevão Torres, popularmente chamado de Largo da Feira ou Largo de Santo Ovídio. Este culto remonta, pelo menos, ao séc. XVIII sendo certo que em 1758, à data das “Memórias Paroquiais” (ainda se realizava). De acordo com Soledade Martinho Costa esta prática aparece como propiciatória no roubo ritual que se fazia outrora do Menino Jesus que Santo António segura no colo, muitas vezes desaparecida da imagem do Santo, tradição que se manteve até aos inícios do séc. XX, segundo o povo, para dar sorte. Uma notícia inserta no Jornal “O Concelho de Gaia”, de 6 de Setembro de 1873, dá conta dos festejos daquele ano; havia 3 dias de festa com missa solene, Santíssimo exposto, sermão e música. O arraial “é dos mais concorridos destes arredores”. Na segunda-feira houve feira, com distribuição de prémios “áqueles lavradores que apresentarem melhores exemplares de gado vacuum e suíno”. Na feira vendia-se de tudo, nomeadamente sementes de melancias.” In Memórias Gaienses.
 
 
Lugar do Castelo de Gaia – O Castelo de Gaia vem dos séculos VIII/IX e foi várias vezes reconstruído e destruído. Sobre este contam-se inúmeras lendas, mas de histórico há muito pouco. Durante o cerco do Porto esteve aí instalada uma bateria miguelista que bombardeou o Palácio dos Carrancas, onde estava D. Pedro IV. Foi destruída pelas forças liberais. 
 
 
A Igreja do Bom Jesus de Gaia, também conhecida desde o Séc.XIX por Capela de Nª Sª da Bonança. Fica situada na rua Viterbo de Campos, no Lugar do Castelo de Gaia. Localizada numa povoação de remota antiguidade, confirmada por escavações arqueológicas, trata-se de uma igreja de antiga invocação, que sofreu obras ao longo dos tempos, tendo sido alargada e ampliada várias vezes desde a Idade-Média. Dentro da capela existe uma imagem de Santa Liberata, uma mártir do século II, cuja lenda está conotada com Gaia Á direita pode ver-se um caminho romano.
 

Lugar chamado do Castelo de Gaia – blog Porto Cidade Invicta
 
 
 
Cave de vinho do Porto
 
 
 
Armazéns de Vinho do Porto, Gaia
 
 
Foto de Emílio Biel
 
 
 
Até ao séc XX grande parte do Vinho do Porto era exportada em barris.
 
Cais de Gaia - Quem fala de Gaia não pode deixar de referir o comércio do vinho do Porto. Sobre isto, encontrarão referências no capítulo destinado ao Rio Douro.
 
 
Largo D. Luis I - Gaia
 
 
Livros de registos dos embarques da firma Guimaraens & Cª. - 1900
 
 
 
Porto VV Niepoort - velhíssimo
 
 
Tawny 1701 (?)
 
“O vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, no norte de Portugal a cerca de 100 km a leste do Porto. Régua e Pinhão são os principais centros de produção, mas algumas das melhores vinhas ficam na zona mais a leste. Apesar de produzida com uvas do Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esta bebida alcoólica ficou conhecida como "Vinho do Porto" a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada para todo o mundo a partir desta cidade. A "descoberta" do Vinho do Porto é polémica. Uma das versões, defendida pelos produtores da Inglaterra, refere que a origem data do século XVII, quando os mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região do Douro para evitar que ele azedasse. Mas o processo que caracteriza a obtenção do precioso néctar era já conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses. Já na época dos Descobrimentos o vinho era armazenado desta forma para se conservar um máximo de tempo durante as viagens. A diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas. O que torna o vinho do Porto diferente dos restantes vinhos, além do clima único, é o facto de a fermentação do vinho não ser completa, sendo parada numa fase inicial (dois ou três dias depois do início), através da adição de uma aguardente vínica neutra (com cerca de 77º de álcool). Assim o vinho do Porto é um vinho naturalmente doce (visto o açúcar natural das uvas não se transformar completamente em álcool) e mais forte do que os restantes vinhos (entre 18 e 22º de álcool).”  In Wikipédia
 

Legenda: "Interior de um armazém de vinho do Porto, em Gaia, na primeira metade do século XIX.
Segundo um desenho original de J.J. Forrester.


  (30 de Agosto de 1854) - “Sabendo que o Sr. Forrester tinha estabelecido no seu armazém da Ermida em Vila Nova de Gaia um caminho-de-ferro por onde girava um carro acelerado construído convenientemente para o serviço das vasilhas, levado pela curiosidade que nos promovera objecto tão novo, fomos à morada do Sr. Forrester; e seguro da dignidade que caracteriza este cavalheiro solicitamos de S.Sª o mostrar-nos o seu armazém e a permitir-nos presenciar o trabalho pelo seu novo sistema. Não tínhamos a honra de contar-nos na tratabilidade do Sr. Forrester, e o nosso título de apresentação não passava do desejo, que assistia a uma pessoa, quase desconhecida deste patriótico comerciante. Faltávamos a um rigoroso dever se deixássemos de patentear como fôramos recebidos pelo Sr. Forrester, e pelo seu digno filho, da maneira que mais podia lisonjear-nos. Ss.Sª tiveram a nobre franqueza de mostrar-nos todo o seu estabelecimento, dando-nos civilizada e agradavelmente as necessárias explicações tendo nós a ocasião de ver que o novo mecanismo, que o Sr. Forrester apropriara ao seu armazém, aponta a passagem para o progresso naquela qualidade de trabalho. O armazém de um comprimento de perto de 500 palmos, é cortado no centro por uma linha férrea das dimensões usadas nos caminhos de ferro ordinários. Por esta linha, que separa os seis rumos, que comporta a capacidade do armazém, percorre o carro acelerado pelo impulso, que pode dar-lhe a força de um ou mais homens conforme a necessidade o exija. Este carro mandado construir de propósito na Inglaterra debaixo da inspecção do Sr. James, filho do Sr. Forrester, compõem-se de dois corpos, estando num deles colocado um guindaste, que levanta as pipas ou para o 2º ou 3º corpo, a fim de serem transportadas para o ponto que se queira ou para a altura do lote, a que seja necessário eleva-las. O serviço assim feito substitui o trabalho pelo menos de três quartas partes dos homens, que se empregavam e empregam no sistema antigo. As lotações e os benefícios fazem-se com tal celeridade que a grande conveniencia do carro e do guindaste se torna evidentemente palpável. Para quem nos outros armzéns presencia a fadiga dos trabalhadores para fazer rolar as pipas levando-as a qualquer ponto determinado através do custoso impulso das mãos, vendo-as rojar pelo pavimento térreo com manifesta deterioração de todos os elementos, que as compõem, além dos grandes balanços, que o líquido sofre dentro da vasilha, estorvando a sua pronta depuração, não pode deixar de maravilhar-se que o Sr. Forrester achasse o segredo de acabar com estes inconvenientes tornando o serviço mais suave e reconhecidamente mais proveitoso para as vasilhas e líquidos armazenados. Para mais satisfazermos nossa curiosidade quisemos experimentar a impressão do movimento do carro através do carril de ferro, e com os nossos companheiros fizemos a carreira de toda a linha e fôramos perfeitamente surpreendidos, podendo fazer ideia, se bem que aproximada, do trânsito das locomotivas nas vias férreas, de que só temos visto a descrição. (ainda não havia comboios em Portugal). Seria bem para desejar que os comerciantes de vinhos seguissem o exemplo do Sr. Forrester, aproveitando os grandes resultados, que a ciência da máquina oferece ao trabalho, dando assim uma prova de que os adiantamentos daquela ciência não passam infrutíferos para nós. Além da inovação do caminho-de-ferro, e do carro, que por ele percorre, que não pode alcançar todo o serviço a fazer no armazém, o Sr. Forrester introduziu no trabalho, que dirige, pequenos carros de mão adequados aos misteres. Oshoptrucks servem especialmente para transportas os cascos vazios, demandando apenas a pequena força de um rapaz. Uns de quatro rodas baixas, que se empregam na condução das pipas cheias para qualquer dos pontos dos terceiros rumos pelas diferentes coxias do armazém: e outros mais pequenos, que servem unicamente no trânsito ao vinho engarrafado, tendo a vantagem, além de se moverem com facilidade, serem construídos de modo tal, que a quebrar-se alguma das garrafas o vinho é recebido num depósito e aproveitado. Não há só a notar no armazém do Sr. Forrester as inovações, que deixamos mencionadas: além delas, a regularidade na colocação de todos os objectos para que apareçam de pronto quando necessários, concorre também muito para a singularidade do estabelecimento. As ferramentas e demais utensílios são todos no possível esmero do trabalho, não podendo deixar de promover um vantajoso resultado nas operações. Os utensílios, que se destinam à depuração das borras, são tão engenhosamente concebidos que produzem uma notável disparidade, comparados com os do sistema nos outros armazéns seguido. Os armazéns de Vila Nova não sendo de construção subterrânea, como o são em outros paises para ministrar aos líquidos a frescura de que necessitam, precisam de ser continuamente refrescados com água. Para esse refresco mandou o Sr. Forrester vir e emprega no seu armazém a bomba chamada force-pump, que o refresca e ao mesmo tempo as vasilhas que nele se acham, servindo também para bomba de incêndio. Para estimular os sentimentos dos trabalhadores e infundir-lhes os preceitos da moralidade, que devem guiar o homem em qualquer posição, que se encontre, o Sr. Forrester mandou escrever na porta do armazém os dois preceitos que devem dirigir a conduta dos operários - O mérito será premiado - o vício será punido - Praticando estas duas saudáveis máximas, o Sr. Forrester todos os sábados recompensa monetáriamente o trabalhador ou trabalhadores, que de recompensa se tornem dignos durante a semana. Ao lado do armazém está a tanoaria, descobrindo-se nela o mesmo sistema de regularidade. O alimento dos trabalhadores é preparado em comum a troco de uma diminuta parte do salário a qual não excede a vinte réis diários, tendo assim aqueles por uma insignificante quantia um rancho excelente, muito mais barato e abundante do que o teriam feito por conta de cada um em particular, resultando, além desta vantagem do trabalhador a do Sr. Forrester que nos disse não prejudicar-se e conseguir para o trabalho o tempo que cada trabalhador perdia com o seu arranjo particular de comida, que pelo sistema adoptado se faz convenientemente por dous aprendizes da tanoaria ou do armazém. Os aprendizes não concorrem para o rancho, que o Sr. Forrester lhes manda ministrar gratuitamente, concedendo-lhes de mais quatro horas por dia para poderem ir à escola. O Sr. Forrester leva tanto a empenho de interessar os operários no seu estabelecimento que ele próprio vigia a cozinha, procurando por todos os modos que o rancho seja tanto quanto ser possa agradável aos trabalhadores. O vinho dado de bebedagem é dado regradamente; mas na precisa abundância, não sendo negado de modo algum, quando o exige o cansaço do trabalho. A economia na despesa é um feliz resultado de todas as combinações, em que a experiência do Sr. Forrester assentou o seu novo sistema. É assim que a boa práctica de administrar pode reunir as reciprocas vantagens do trabalhador e do dono do armazém. Parece-nos que devíamos a nossos leitores a descrição do que viramos, pois que ela não será indiferente a parte deles, que na especialidade se empregam no importante ramo do comércio do vinho.” In blog A Porta Nobre
 
 
Foto de 1923

“O facto da Ponte Luís I, inaugurada a 31 de Outubro de 1886, ter um tabuleiro a uma cota superior, abrigou à abertura, na margem sul, de uma nova via de acesso. No entanto, a existência no local do morro da Serra do Pilar impossibilitou que fosse imediatamente rasgada uma ampla avenida. Em vez disso, a via começou por contornar o morro, após o que seguia um trajecto rectilíneo até à actual Rua de Luís de Camões, na época estrada de ligação a Oliveira de Azeméis. A instalação da linha do eléctrico, em 1905, a partir do Porto, obrigou ao rasgamento de uma trincheira em pleno morro da Serra do Pilar, alinhada com o traçado da via que seguia para sul, na época designada Avenida de Campos Henriques. No entanto, a metade oeste do morro só seria completamente arrasada em 1927, construindo-se no seu lugar o Jardim do Morro. O eléctrico permitia um fácil acesso à cidade do Porto, o que valorizou a avenida, tornando-a, aos poucos, uma zona urbanizada e uma nova centralidade de Vila Nova de Gaia, afastada da zona ribeirinha onde, até então, se concentravam os serviços, o comércio e o poder político do concelho". – do blog Zulurómio

 
Avenida da República em 1934
 
 
Convento da Serra do Pilar ainda muito danificado durante as lutas liberais - foto de 1950
 
 
Sobre os conventos de Santo Agostinho da Serra do Pilar e de Corpus Christi das Dominicanas trataremos em local próprio.
 
 
Houve duas fábricas do Cavaquinho, ambas pertencentes à mesma sociedade. A primeira estabeleceu-se na Quinta de Vale de Amores, em 1768 e fabricava louça de faiança. Foi construída uma segunda, mais moderna, que fabricava louça de pó pedra de qualidade superior e que, entre 1793 e 1808, exportava uma parte da produção para o Brasil. Com as Invasões Francesas cessou a actividade entre 1808 e 1817. Encerrou n década de 30 do séc. XIX.
 
 
Garrafa e tinteiro da Fábrica Cavaquinho
 
 
 
Estado actual
 
 

Edifício e forno da Fábrica Cerâmica e Fundição das Devezas

Não é fácil tratar a história e a actividade da Fábrica de Cerâmica das Devesas. Assim sendo transcrevemos excertos e algumas fotos do esplêndido artigo de Francisco Queiroz em www.queirosportela.com  :
“A enorme importância de António Almeida da Costa – fundador deste complexo – e do seu amigo, colaborador e sócio, José Joaquim Teixeira Lopes, na projecção das Artes Industriais em Portugal, no século XIX, até porque a dinâmica que o primeiro imprimiu a esta actividade ultrapassou a mera contribuição capitalista (aspecto mais conhecido e revelado da sua biografia), devido à formação artística que precedeu a sua actividade industrial…Ora, ao verificarmos a elevadíssima importância histórica e artística da antiga Fábrica de Cerâmica das Devesas - mesmo em termos internacionais - e a negligência e burocracia com que tem sido conduzido o seu processo de classificação patrimonial, cumpre-nos o duplo papel de divulgar um pouco da história e valor deste complexo industrial, assim como dar a conhecer a forma como tem sido conduzido o processo da sua salvaguarda…Não encontrámos qualquer documentação que confirmasse a data oficial de 1865, como a da fundação…A partir da criação da secção de fundição no seu complexo fabril, entre 1881 e 1884, António Almeida da Costa passou a ser o único industrial do Porto com capacidade para construir uma capela sepulcral com acessórios inteiramente produzidos nas suas oficinas. Esta passava a ser uma grande vantagem de António Almeida da Costa relativamente aos seus concorrentes, pois todas as oficinas do seu complexo fabril promoviam-se mutuamente, funcionando como uma concentração horizontal – a primeira e a maior que alguma vez existiu em Portugal em termos de artes industriais…A qualidade do equipamento industrial da Fábrica das Devesas era igualmente digna de nota, havendo mesmo algumas máquinas inventadas pelos mestres fabris. Os próprios edifícios fabris não eram excessivamente acanhados, ao contrário do que sucedia com quase todas as indústrias da época… Os catálogos da Fábrica das Devesas serviam, pois, como forma de publicitar a sua produção. Porém, a publicidade também se baseou na presença em exposições nacionais e internacionais, onde a fábrica obteve várias medalhas e elogios, nomeadamente uma medalha de prata na célebre Exposição Universal de Paris, em 1900…A sua habilidade e perspicácia empresarial também o levaram mais longe, ao permitirem que produzisse aquilo que o mercado queria, antes que outros o fizessem. Exemplo disso mesmo foi a sua aposta na telha de Marselha, sendo que até a terá chegado a produzir com melhores resultados do que a original.”

 
 
 
 
 
 
Produtos da Fábrica das Devezas
 
 
Em 1899, deu-se início à construção de um magnífico edifício neomourisco que servia de depósito e exposição de produtos no Porto (na actual Rua José Falcão, com frente para a Rua da Conceição).
 
 
Estação das Devesas - A linha do Norte ficou concluída em 7 de Julho de 1864, com a chegada de um comboio a Vila Nova de Gaia. Só 13 anos depois atravessou o Rio Douro, até Campanhã. Inicialmente só havia dois comboios diários para Lisboa, às 8 e 18.45 h. Custava 6.000 reis em 1ª. Classe, 4.670 reis em 2ª. E 3.330 reis em 3ª.

 
Locomotiva abandonada na Estação das Devezas



Foi erguida sobre um rochedo junto ao mar em 1686

Acredita-se que o culto na Capela do Senhor da Pedra possa ter origem em um antigo culto pagão, de carácter naturalista, dos povos pré-cristãos, cujas divindades eram veneradas em plena natureza. A romaria ao Senhor da Pedra é uma das mais tradicionais e concorridas do norte do país. Quando, em jovem passava as férias em Paredes, muita gente ia a pé a esta romaria! Para ajudar ao esforço da caminhada, cantavam muitas músicas folclóricas, uma das quais era:

        Bendito o Senhor da Pedra
Bendito sempre sejais
  Não tenho nada de meu
   Oh Senhor tanto me dais

. Realiza-se anualmente na praia de Miramar, no domingo da Santíssima Trindade e prolonga-se até à terça-feira seguinte.

Festa do Senhor da Pedra – vídeo You Tube

Apresentados que foram os bairros do tempo de ARC, seguem-se dois filmes do You tube com O PORTO ANTIGO E MODERNO



sábado, 22 de dezembro de 2012

BAIRROS DA CIDADE - XXIV

2.3.4 - Bairro de Miragaia - II
Rua Arménia
Na segunda metade do século XV, instalou-se no Porto um grupo de arménios em busca de refúgio após a queda de Constantinopla diante do exército otomano, em 1453. Estes imigrantes trouxeram consigo as relíquias de São Pantaleão, martirizado em Nicomédia em 305, que foi feito patrono do Porto. José Ferrão Afonso em O Tripeiro, Série VII, Ano XXIV, nº. 6, refere um artigo de João Soalheiro em que este relaciona “este evento com a saga dos filhos do Regente D. Pedro, D. João e D. Jaime. O primeiro seria Cardeal, tendo sido entre outras dignidades a de Bispo de Paphos, em Chipre; o segundo casou com Carlota de Lusignan, herdeira do trono do mesmo reino e Rainha da Arménia. Ambos se integram assim na política nacional de cruzada contra os turcos e o interesse demonstrado por D. João II, seu sobrinho, pelas relíquias portuenses de S. Pantaleão estaria, desse modo, justificado.” Estas relíquias foram depositadas na Igreja de Miragaia, em cofre de prata lavrada oferecido por D. Manuel I, para dar cumprimento a uma das últimas disposições do seu antecessor, D. João II. Mais tarde, em 12 de Dezembro de1499, as mesmas foram transferidas para a Sé do Porto por determinação do bispo, D. Diogo de Sousa.
 

Antiga fábrica dos chumbinhos para armas – Deitava-se chumbo derretido do andar superior que, ao cair, se transformava em pequenos grãos, como a chuva. Caíam num tanque de água que os solidificava. "Esta fábrica foi instalada cerca de 1880 por José Pereira Cardoso na Rua de S. Francisco, em pleno Centro Histórico. Tem cerca de 45 m. de altura"  Foto e itálico do blog A Vida em Fotos. 


A Fábrica de Louças de Miragaia foi fundada em 1775 por João da Rocha (comerciante emigrado na Baía onde fez fortuna) e seu sobrinho João Bento da Rocha, naturais de Sabadim, Arcos de Valdevez, debaixo da direcção do Mestre Sebastião Lopes Gavicho. Com estes homens inicia-se uma verdadeira "dinastia" de industriais cerâmicos - os "Rocha de Miragaia" - que introduziram inovações como a produção de louça em formas (1827-1830) e chegaram mesmo a explorar, em determinados momentos, as fábricas concorrentes: Massarelos (1819-1833), Santo António de Vale da Piedade (1825-1844) e a do Cavaquinho (1845). A fábrica ocupava uma área bastante extensa como se pode ver na gravura. Situava-se na Rua da Esperança, contígua à Igreja de S. Pedro de Miragaia e esteve em laboração durante 77 anos, tendo a sua actividade sido interrompida apenas durante as invasões francesas e, posteriormente, no período das lutas liberais.





Produtos e marcas de Miragaia


Passeio das Virtudes – vista para poente

Casa das Sereias


Casa das Sereias - porta principal

Em O Tripeiro, 7ª. série, Ano XXI, nº. 12, Helena Langford intitula a família construtora desta casa de Portocarreiro, e não Portocarrero como sempre tínhamos lido. A casa foi começada por João Portecarrero cerca de 1750. “Casou com D. Vitória Bandão da Cunha… teve 2 filhos. Manuel, o mais velho, morreu afogado no Douro numa viagem de Melres para o Porto sem deixar descendência e seu irmão Francisco que lhe sucedeu como herdeiro. Conta a lenda que citava amiudadas vezes, ao olhar para o Douro, a celebre frase: ”Ah! rio, rio…que a meu irmão mataste a sede e a mim a fome e o frio.” Dado não ter descendência foi herdeira uma sua irmã, cujo marido foi assassinado pelos mlitares Soult quando da invasão de 28-3-1809. Também o seu filho João teve o mesmo dramático fim em 21 de Março, morto barbaramente pela insurreição do povo contra os que se dizia serem jacobinos. Desde 1955 esta casa pertence às religiosas do Instituto Filhas da Caridade Canossianas Missionárias, onde funciona um ATL com mais de duzentas crianças.


Bandeirinha da saúde – Os barcos, chegando em frente a esta bandeirinha, aguardavam a inspecção sanitária e só depois podiam seguir para os cais da cidade. Esta construção foi executada “em 1633 pelo pedreiro Bastião Fernandes que recebeu 180 rs. pelo trabalho. (O Tripeiro, série VI, anoV). Fica ao lado do Palácio das Sereias.



“Em Setembro de 1856, suspeitos de agentes de febre amarela, o conselho de saúde pública…determinou que 12 embarcações…saíssem da barra. 8 saíram. A barca Lima e o brigue S. José já se consideravam perdidos…” O Tripeiro Série V, ano II. Na fotografia vêm-se os dois barcos afundando-se.
O arquitecto inglês, em visita ao Porto em 1789, descreve esta inspecção da seguinte forma: "A rapidez da corrente impediu-nos durante três dias de receber a visita dos oficiais da alfândega, visita antes da qual é proibido, a quem quer que seja, descer em terra, sob pena de prisão. Estas visitas têm uma dupla finalidade. A primeira, procurar e confiscar as mercadorias de contrabando; a segunda, examinar e indagar do estado de saúde dos passageiros. Pelo fim da tarde do quarto dia, três oficiais, acompanhados de um intérprete que, com um tom de autoridade ordenou a todos os que tinham tabaco e sabão que fizessem deles uma exacta declaração. Ordem à qual nos apressámos a obedecer. Mas como o nosso Capitão respeitava as leis do País, não havia permitido que tivéssemos embarcado mercadorias proibidas a bordo, salvo uma pequena porção das acima referidas para nosso uso particular por isso, nada nos foi tomado. Devo dizer, em abono destes oficiais, que eles cumprem os seus deveres com tão grande honestidade, que a sua inspecção se assemelha mais a uma visita de amizade do que a uma busca de polícia. Os viajantes que já passaram pelas mãos dos oficiais da alfândega inglesa dificilmente concebem que exista honestidade entre os homens desta classe. Acabada a visita dos comissários esperávamos a do médico quando, encontrando-se este indisposto, nos enviou um seu representante. A primeira operação deste filho ilegítimo de Esculápio foi de ordenar a todas as pessoas da embarcação de subirem à coberta do navio, ao mesmo tempo que os observava da margem, onde se havia instalado ao vento e à distância de 200 vergas de nós. Depois de um ou dois lances de olho, tomou o tabaco e, empertigando a cabeça, pronunciou solenemente, a sentença seguinte: Eu, certifico que está tudo de saúde. Que ele devesse esses conhecimentos seja à perspicácia de seu espírito seja à dos seus órgão visuais ou que tenha pura e simplesmente adivinhado a coisa, não é menos certo que o próprio Hipócrates não teria feito um juízo melhor”. Em O Tripeiro, série VII, Ano XVII, nº. 12.

O nome da Rua da Restauração esteve ou está envolvido em polémica pois, Eugénio Andrea da Cunha Freitas afirma que o seu nome se refere ao “ restabelecimento do governo constitucional e não à data da Independência de 1640”. Já Luis Miguel Queirós diz que se refere à revolução desta data. Iniciada a sua abertura em 1816, foi muito demorada a sua finalização, pois as obras foram muito longas por ser necessário romper a enorme pedreira da Torre da Marca, no Palácio de Cristal. Foi aberta “pelo meio do campo da Agra, pertença do casal do Robalo (onde se edificou o Hospital de Santo António) …iria ligar a Alameda de Massarelos com a Rua do Rosário”. Eugénio Andrea da Cunha Freitas – Toponímia Portuense. Chamou-se Rua de D. Miguel I até 1832. Após a derrota dos absolutistas tomou o nome actual.
Em 1841 a antiga casa dos Carrancas, no largo do Viriato, foi destruída para facilitar a continuação até à Cordoaria, no lado sul do hospital. Só na planta de Perry Frederico Gavazzo Vidal, de 1865, se pode ver a rua já aberta da Cordoaria à Esplanada de Massarelos.


Alameda de Massarelos


O “americano” desceu, da Cordoaria até à Alameda de Massarelos, pela primeira vez em 1873. Posteriormente seguia, pela marginal, até Matosinhos. Este é o único que existe no museu. Ver mais pormenores e história em lugar próprio.

Em 1895 esta linha foi electrificada. A empresa adaptou os americanos à tracção eléctrica.


António da Silva Monteiro - Conde de Silva Monteiro - (1822-1885)


Palacete Silva Monteiro na Rua da Restauração.




Uma das mais luxuosas casas do Porto do séc. XIX era o Palacete do Conde Silva Monteiro, onde está hoje instalada a Casa do Vinho Verde. António da Silva Monteiro (1822/1885) foi para o Rio da Janeiro com 12 anos. Aí se tornou um próspero comerciante e capitalista. Forneceu grande quantidades de mercadorias durante a guerra entre o Brasil e o Paraguai. Regressado, contribuiu com largos haveres para as escolas de Lordelo e Miragaia. Presidiu aos B. V. do Porto, ao Palácio de Cristal e à Associação Comercial. Foi vice-Presidente da C. M. P.

Porto, 100 anos na vida da Cidade – fotos de José Serafim Pereira
Fotos antigas do início do séc. XX