sábado, 26 de janeiro de 2013

BAIRROS DAS CIDADE - XXIX


2.3.6 - Bairro da Boavista - IV


Planta de Teles Ferreira, 1892, desde a Rua João Grave à Fonte da Moura de Baixo. A Avenida da Boavista estava aberta somente até após a Rua da Vilarinha. Só na primeira década dos séc. XX se começou a abrir até ao Castelo do Queijo. Ficou terminada em 1917.


A origem e crescimento do povoado de Rianhaldy perde-se nos tempos, antes da fundação da monarquia portuguesa, provavelmente entre 920 e 944, data em que chegaram ao território os monges de S. Bento. Assim começaria a história do julgado de Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este território pertenceu ao Padroado Real de D. Sancho I que depois o doou, em 1196, a sua filha D. Mafalda. Um documento de 1222 afirma que a rainha D. Mafalda fez a sua doação ao Mosteiro de Arouca. 
Na época de D. Sancho II o território denominava-se Ramunhaldy e era constituído por cinco lugares: Francos, Requezendi, Ramuhaldi Jusão e Ramuhaldi Susão (actualmente Ramalde do Meio). 
Entre 1230 e 1835 pertenceu ao concelho de Bouças, o qual integrava também S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do Douro e um conjunto de vinte povoações. Em 1895 foi integrado no concelho do Porto, como freguesia.
Há quem ligue o lugar de Francos às Invasões Francesas de 1809. Porém, este nome tem muitos séculos.




Tinturaria - Photo Guedes - 1900

Quando em 1809 chegou ao Porto o escocês William Graham Jr. acabavam de ser expulsos os franceses da segunda invasão. Logo em 1814 decidiu dedicar-se, logicamente, ao comércio do vinho. Mandou vir o seu sobrinho John Graham e com ele se associou na firma William & John Graham & Cº. O séc. XIX foi muito agitado até aos anos 50, pelo que só a partir da Regeneração, os Graham se decidiram entrar na indústria têxtil. Em 1880 compram, em Lisboa, a Tinturaria e Estamparia do Braço de Prata. Tendo tido sucesso e tendo verificado que no Porto seria mais rentável desenvolver os negócios têxteis, fundaram a mais importante fiação, tecelagem e tinturaria do país, a Fábrica de Fiação e Tecidos da Boavista, mais conhecida por fábrica do Graham ou dos ingleses, que aliás eram escoceses. Para tal adquiriram um grande terreno a poente do campo do Boavista F C que chegou a ter cerca de 10 hectares. Este terreno começava onde hoje é a Rua Azevedo Coutinho e estendia-se até à Rua de S. João de Brito. Foi muito grande o desenvolvimento desta indústria, o que se verifica bem se dissermos que tinha em 1905 – 881 operários, em 1928 - 1500 e em 1939 - 1473. A esta mão-de-obra terá que se acrescentar a grande quantidade de pessoas a quem davam trabalho externo. Tiveram sempre uma política da melhor qualidade dos produtos e a actualização das máquinas. Em 12 de Maio de 1897 deflagrou um violentíssimo incêndio que quase destruiu esta fábrica. Os prejuízos foram avaliados em 10.000 Libras estrelinas e ficaram sem trabalho centenas de operários. A verdade, porém, é que foi reconstruída. Com o eclodir da guerra, em 1939, e as dificuldades de exportação, a fábrica foi encerrada nos anos 50. Este facto foi causa de um grande prejuízo para esta zona da cidade, levando muitas famílias à pobreza, pois era muito habitual trabalharem lá vários membros da mesma família.

Video sobre S. Pedro da Cova em 1917 – a partir do minuto 36.10 mostra clientes deles: Fábrica do Graham na Avenida da Boavista, Fábrica de Salgueiros, Fábrica de Fiação e Tecidos de Santo Tirso, Sampaio Ferreira em Riba d’Ave, Central do Varosa e Fábrica do Rio Vizela




Baú usado no transporte da comida e socos de mulher

Vivendo eu muito perto desta fábrica, recordo vários factos dos seus últimos 20 anos. Logo de madrugada, antes das 7 horas, um terrível barulho de socos de madeira e vozes de mulheres me acordavam sobressaltado. Eram as centenas de operárias que passavam junto de nossa casa. Muitas levavam um baú à cabeça com o seu almoço e o de um seu familiar, que depois aqueciam na cantina. Mas ainda antes, pelas 6 horas, já se ouviam as sirenes a acordar o pessoal em uníssono com a da Estamparia do Laranjo, na Rua do Dr. Alberto Macedo. Antes do meio-dia viam-se mulheres com tabuleiros à cabeça com baús levando comida quente.


Uma parte do terreno era ocupada pela escória do carvão utilizado nas caldeiras. Era transportada em “vagonetes”, levadas por 2 homens. Quando saíam carregadas, estes davam-lhes um pequeno impulso e subiam para um degrau, sendo por ela levados, dado que o terreno era ligeiramente inclinado. No local da descarga puxavam uma alavanca que virava o contentor para a direita ou para a esquerda. Só as empurravam na volta já vazias.



Dado o grande desenvolvimento da zona da Boavista, o enorme terreno foi muito valorizado, tendo sido comprado por uma empresa ligada ao Banco Português do Atlântico, a Sociedade de Construções William Graham, onde em parte dele, foi construído o luxuoso Parque Residencial da Boavista, mais conhecido pelo Foco, desenhado pelo Arq. Agostinho Ricca Gonçalves.




A paróquia de Nossa Senhora da Boavista foi constituída, em 31/3/1973, pelo Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. Em 31/5/1981, o mesmo Bispo, benzeu e inaugurou a nova igreja. O projecto foi do Arquitecto Agostinho Ricca Gonçalves. O artista que praticamente decorou toda a Igreja foi o Mestre Júlio Resende, coadjuvado pelo escultor Zulmiro de Carvalho e pelo pintor Manuel Aguiar. Mais tarde, associou-se a esta equipa o pintor Francisco Laranjo. Há uma grande unidade estética em todo o conjunto: dos vitrais ao sacrário, da via-sacra ao crucifixo da capela do Santíssimo Sacramento. O tapete que desce do presbitério reflecte as cores dominantes dos vitrais.



Rua do Pinheiro Manso - 1948


Este era o Pinheiro Manso que deu o nome à rua. Estava plantado numa quinta já, pelo menos, no séc. XIX. O palacete foi construído em 1902 por um brasileiro de torna viagem de nome Rocha. Nos anos 40/50, era habitado pela família Gilbert. O pinheiro caiu em 15 de Fevereiro de 1941 na terrível noite do “ciclone”, muito recordado pelos portuenses, pois causou elevadíssimos prejuízos por toda a cidade. No momento da queda da árvore, cerca das 20 horas, ia a passar o carro do comandante dos bombeiros que foi atingido na traseira. Deste acidente não resultou qualquer ferido. Foi demolido em 1971 para a construção do prédio que lá se encontra. 
Ao longe pode ver-se uma chaminé e a fábrica Graham a que acima nos referimos.




Recordo muito bem que os Gilbert tinham um maravilhoso BMW 326 branco, de meados dos anos 30, que eu admirava longamente.


No século XIX a rua encontrava-se numa zona rural, composta por pequenas quintas. A primeira casa, da Rua do Pinheiro Manso, a partir da Boavista era o 274, casa onde nasci. Já consta do mapa de Teles Ferreira de 1892. Deve datar da década de 80. É visível na planta de Ramalde, acima.


Santa Joana Jugan, fundadora das Irmãzinhas dos Pobres – 1792-1879. Criou esta congregação para apoio dos velhos doentes, abandonados e pobres.


No dia 5 Novembro de 1897 inicia-se a construção do edifício das Irmãzinhas dos Pobres, ao Pinheiro Manso, sendo a primeira pedra colocada pelos Cónego Dr. Cardoso Monteiro, em representação do Sr. Cardeal D. Américo, conselheiro Araújo Silva, director das Obras Públicas, e Dr. Terra Viana. Álbum da Congregação.


Renovação nos anos 30 do séc. XX – álbum da Congregação




Estátua de S. José nas Irmãzinhas dos Pobres – 22/2/1900 - Sob modelo de Soares do Reis, o escultor Silva, ao serviço do empreiteiro João Gomes Guerra, termina a bela estátua de S. José, de 2,40 metros, que foi colocada na fachada do edifício do Asilo das Irmãzinhas dos Pobres ao Pinheiro Manso.


Capela original - as imagens de santos foram feitas pelo santeiro João Monteiro Pereira Júnior – 1904 – Álbum da Congregação


Igreja antiga da Paróquia de S. Salvador de Ramalde – inícios do séc. XVIII – “Nessa altura, a Igreja possuía bons paramentos e alfaias e ricos objectos de prata, mas tudo foi roubado pelos franceses. No tempo do Cerco do Porto, desapareceram do Arquivo Paroquial os livros das Visitações e outros documentos importantes. Em 1921, a Capela-Mor da Igreja foi reformada por uma comissão de paroquianos e pelo Padre Joaquim Esteves Loureiro que efectuaram diversas obras de reparação e asseio da Igreja, paramentos e alfaias, sendo de maior vulto a reforma do douramento e pintura do altar e capela-mor. Nesta reforma gastaram-se 2.044$940 réis  o que, ao tempo, ainda era dinheiro”. Há dois anos que decorrem grandes obras de restauro desde o telhado, que estava em péssimo estado, ao restauro interior. Foi nesta igreja que eu fui baptizado, bem como todos os nossos filhos. 


Igreja nova de Ramalde - Inaugurada em 16 de Junho de 2002, é obra do Arq. Vasco Morais Soares. Edificação Moderna em betão maciço, granito, tijolo, e com o tecto em madeira, apresenta um forte aproveitamento da iluminação natural, tornando-se numa referência ao nível da estética e da acústica. O painel de azulejos do seu exterior, obra do mestre Rogério Ribeiro, retrata a história do Homem. Esta grandiosa obra, bem como o Centro Paroquial e auditório foi obra dos paroquianos, dirigidos e incentivados pelo Pároco Sr. Padre Almiro Mendes.



Cooperativa de Ramalde

Na época da sua fundação, 8/12/1892, ainda a agricultura dominava a vida económica e a paisagem da freguesia. No último quartel do século XIX verifica-se um desenvolvimento acelerado da actividade industrial e a freguesia ocupa o principal centro da indústria têxtil do concelho do Porto. Para suprir as grandes dificuldades dos operários, que viviam em habitações sem ventilação e sem luz e para fazer face às dificuldades criam-se associações, onde a troco de uma pequena quota, os sócios obtinham assistência na doença e velhice e até no funeral. É neste contexto social que nasce a SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO FAMILIAR OPERÁRIA DE CONSUMO E PRODUÇÃO. A 6 de Maio de 1906 a Assembleia-geral toma a decisão histórica de adquirir um terreno para edificação da Sede. Em 1931 as instalações são ampliadas consolida-se o espaço comercial onde aos produtos tradicionais se juntam outros e outras actividades na área de prestação de serviços. A Cooperativa passa a ser um importante apoio social das famílias na dignificação do ser humano, no desenvolvimento cultural e informação.


“Curioso é que em Aldoar, Nevogilde e Ramalde de 1864 a 1890 não existia população significativa que merecesse censo dado que essas zonas eram rurais ou melhor as quintas dos arrabaldes do Porto. Essas quintas e quintais adjacentes às moradorias ainda por Ramalde havia, na década de 50 quando por uns dois anos, fui motorista, da Cooperativa de Ramalde, no Largo de Pereiró. A Cooperativa modernizou o sistema de entregas aos associados, adquirindo um furgão “Wolksvagen”, substituindo o cavalo e a carroça que tinha como carroceiro o "Ti Manel” da Senhora da Hora; já entrado na idade e analfabeto não poderia tirar a carta de condução. Por concurso fui então admitido, como motorista, com um salário de um conto de reis por mês. Ramalde, era um meio absolutamente rural nos anos sessenta. Havia por lá casas de lavradores, seculares, de largos pátios, lojas de gado, alfaias agrícolas e campos de cultivo de milho batatas e outros vegetais que seguiam para abastecer os mercados do Anjo, junto aos Clérigos (substituído pelo moderno do Bom Sucesso) mercado do Bolhão, rua Escura e, ainda para as típicas mercearias tripeiras espalhadas por toda cidade. Em 1900 e porque na zona da Boavista se instalam-se várias indústrias, uma com grande significado a fábrica dos ingleses, onde empregou milhares de pessoas e, que mais tarde viria a encerrar, nos anos 1950/60 que deixou centenas de pessoas desempregadas e em dificuldades económicas que se valiam dos créditos da Cooperativa de Ramalde. Depois instalava-se a Fábrica Veludo de papéis pintados e com estabelecimento de venda ao público em Sá da Bandeira junto ao teatro. Praticamente não havia, no Porto, palacete, casa propriedade da média classe que não tivesse forrado nas suas paredes interiores papel, decorativo, pintado. As indústrias tripeiras, as com maior significado estendiam-se para os arrabaldes, embora as de pequeno porte continuavam a quedar-se no centro. Voltando ao fluxo demográfico de Aldoar, Nevogilde e Ramalde e pelo que acima descrevemos, dada a expansão industrial, em 1900 em Ramalde viviam 7.111; Nevogilde 1.210 e em Aldoar 1.052 que somavam 9.373 habitantes.” In Porto Tripeiro.


Casa de Ramalde - em local próprio trataremos da história desta vetusta casa e quinta.



A Paróquia da Senhora do Porto, anteriormente território da Paróquia de Ramalde, foi fundada em 12 de Junho de 1964, dia em que o Administrador Apostólico da Diocese, D. Florentino de Andrade e Silva, nomeou o Padre António Inácio Gomes responsável pastoral por um território que, anos mais tarde, veio a ser confirmado como o da actual Paróquia. 
A Igreja, situada no Largo Padre Inácio Gomes, é um templo com linhas modernas, concluída nos anos 70, com projecto dos Arquitectos Mário Morais Soares e Vasco Morais Soares, sendo Pároco o Pe António Inácio Gomes. No seu interior destacam-se, pela sua qualidade intrínseca e pelo prestígio dos seus criadores, o Sacrário e o Cristo Crucificado (Mestre Júlio Resende e Escultor Zulmiro de Carvalho).
Em 18 de Junho de 1989, D. Júlio Tavares Rebimbas, Arcebispo-Bispo do Porto, presidiu à sagração do altar e à dedicação desta Igreja Paroquial.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

BAIRROS DA CIDADE XXVIII


2.3.6 - Bairro da Boavista - III 


Avenida da Boavista, cruzamento com as Ruas de Agramonte e 15 de Novembro. 
Quando ainda havia plátanos nas laterais e as linhas dos eléctricos traçavam os pneus dos automóveis.


Portão e Capela do Cemitério de Agramonte

“A 2 de Agosto de 1832, por motivos de ordem estratégica D. Pedro IV deu ordem para queimar e arrasar a importante casa de campo, muros e árvores da bela quinta de Agramonte, uma das mais formosas e produtivas dos subúrbios do Porto. D. Pedro foi pessoalmente levar a notícia, à viúva de Joaquim Pinho de Sousa e apresentar-lhe as suas desculpas, e assegurar-lhe que seria a primeira a ser indemnizada pelo seu justo valor logo que as circunstâncias o permitissem. Afinal parece que tal nunca sucedeu, apesar de repetidos requerimentos do tutor dos menores. Continuou um monte inculto até ser expropriado, em 1855, por uma quantia “miserável” para se construir um cemitério.” – texto coligido por Jorge Rodrigues.
Os cemitérios públicos portugueses foram oficialmente criados em 1835. Em 1855 a situação dos cemitérios no Porto alterou-se radicalmente , já que se deu uma grande epidemia de cólera. As autoridades civis conseguiram fechar os cemitérios privativos que não tinham condições e, paralelamente, mandaram construir, de forma apressada, um novo cemitério municipal: Agramonte.  O cemitério de Agramonte em finais do século XIX, tornou-se o modelo preferido para os cemitérios mais pequenos da cidade do Porto e arredores, sobretudo pelo facto de prestigiadas Ordens Terceiras da cidade terem estabelecido ali os seus cemitérios privativos (Carmo, Trindade e S. Francisco), que rapidamente se encheram de belos monumentos. Sendo assim, os cemitérios do Prado do Repouso e Agramonte são também verdadeiros "museus da morte". A Capela Geral do Cemitério de Agramonte, cuja construção foi aprovada pela Câmara Municipal do Porto em 24 de Maio de 1866, substituiu a capela original que era de madeira e existia desde a inauguração do Cemitério no ano de 1855. 
A planta é da autoria do Eng. Gustavo Adolfo Gonçalves e Sousa, Director e professor do Instituto Industrial do Porto. As obras de construção iniciaram-se em 1870/71, sendo a planta posteriormente alterada relativamente á capela-mor, que ficou com configuração redonda, saliente em relação ao edifício, o que não estava inicialmente previsto. 


O projecto da capela-mor, para ampliação da Capela, é da autoria do Arquitecto Municipal José Marques da Silva e datado de 22 de Fevereiro de 1906. 


Jazigo Municipal - fotografia de A. Amen



Capela da família dos Condes da Santiago de Lobão – foto de Teodósio Dias


Jazigo dos Conde de Ferreira

Joaquim Ferreira dos Santos (Porto 1782-1866) foi comerciante e filantropo. Tendo conseguido grande fortuna no Brasil e em África, em boa parte pelo tráfico de escravos de Angola para o Brasil, após o seu regresso a Portugal dedicou-se à filantropia. Fez construir 120 escolas primárias e contribuiu com valiosos donativos para a S. C. M. do Porto. Tendo contribuído financeiramente para causa de D. Maria II esta fê-lo conde em 1856. Com a sua herança foi construído um hospital para doentes mentais, que ainda ostenta o seu nome.


Jazigo aos mortos do incêndio do Teatro Baquet, de 21 de Março de 1888



Igreja do Santíssimo Sacramento – Inaugurada em 15 de Maio de 1938, foi obra da paróquia dirigida Mons. António Augusto da Fonseca Soares.


Avenida da Boavista – à esquerda vê-se o telhado da casa de Boaventura de Sousa – lembrámo-nos muito bem destes plátanos, que foram abatidos para alargar as vias de trânsito, passar as linhas de eléctricos para as laterais e porque as suas raízes levantavam o piso e eram perigosas para os automóveis. Foto dos anos 40 do séc. XX? A casa da direita pertencia à família Chambers.


Palacete Boaventura Rodrigues de Sousa – Construído entre 1895 e 1900 - esteve desocupado de 1910 a 1926. Foi Colégio de Nossa Senhora do Rosário de 1926 a 1958 – Colégio dos Maristas de 1959 a 1991 e actualmente pertence ao BES.



“A primeira referência relativa á área abrangente da freguesia de Lordelo do Ouro, remonta ao século XII, mais concretamente ao ano de 1144. Pertencendo ao julgado de Bouças, Comarca da Maia do Bispado do Porto, Lordelo do Ouro é, por decreto-lei de 26 de Novembro de 1836, integrado no Concelho do Porto. Contava então, com cerca de 2.000 habitantes.Localizada no ponto de contacto entre o rio e o mar, Lordelo do Ouro era tipicamente lugar onde imperavam a marinhagem, a pesca e a construção naval como actividades principais. É de salientar que foi dos estaleiros do Ouro que saíram grande número de Naus da frota que partiu à conquista de Ceuta...


...Este bravo feito está testemunhado pelo monumento situado no Jardim António Calem, de autoria de Lagoa Henriques, que pretende homenagear todos os portuenses que contribuíram paro tal conquista.
A esta actividade marítima deve-se também a construção de monumentos religiosos, como é o caso da Capela de Santa Catarina e a Capela setecentista de Nossa Senhora da Ajuda, construídas em locais elevados, a mando dos marinheiros, seus devotos, de forma a serem avistadas desde a entrada da barra do Rio Douro.” In site da Freguesia de Lordelo do Ouro. 

No século XIX, Lordelo do Ouro assistiu à implementação de algumas unidades industriais de certa importância para a freguesia. Foi o caso da Companhia Portuguesa de Fósforos e da Fábrica de Lanifícios de Lordelo, hoje desactivadas.


Companhia Portuguesa de Fósforos - arquivo do CPF

“Os primeiros documentos oficiais que referem a indústria portuguesa de fósforos datam de 1870, embora se fabricassem, em pequenas oficinas e fábricas especialmente no norte, fósforos de enxofre, antes desta data. Em 1895, saem medidas legais restritivas, de forma a disciplinar o fabrico, provocando o desaparecimento da maior parte delas. Neste contexto, é fundada, por decisão governamental, a Companhia Portugueza de Phósphoros, cujos estatutos foram aprovados por alvará de 16 de Maio de 1895.  Através de uma proposta do político Hintze Ribeiro, foi concedido o exclusivo fabricação e o Estado viabilizou um contrato que acabou por ser assinado pelos accionistas das fábricas de fósforos em Abril desse mesmo ano. O objectivo consistia na exploração exclusiva do fabrico e venda de fósforos em Portugal, através de duas fábricas, uma no Porto e outra em Lisboa, nas quais eram produzidos fósforos de enxofre, integrais e fósforos amorfos ou de segurança, de cera e de madeira. Em 1925, finda a concessão estatal, ou seja, os trinta anos de exclusividade de mercado. A Match and Tabacco Timber Supply Co. adquiriu todo o activo e passivo da Companhia Portugueza de Phósphoros. Criada em 1926, a Sociedade Nacional de Fósforos (SNF) herdou os alvarás da extinta empresa, abrindo duas fábricas, uma em Lordelo do Ouro no Porto e outra no Beato em Lisboa, contando com a participação de 25% do Estado. A sua actividade consistia em dar uma resposta constante à concorrência das outras duas unidades existentes: a Fosforeira Portuguesa de Espinho e a Companhia Lusitana de Fósforos do Porto. Em 1930, a SNF formou uma parceria com a Swedish Match3 que introduziu nova tecnologia na produção da fábrica portuguesa. Segundo o Boletim Estatístico de 1963, a produção das quatro fábricas foi de mais de 16 biliões de fósforos, num valor superior a 100 mil contos, dos quais foram exportados mais de 400 toneladas de valor superior a 12 mil contos. Nessa altura, estavam empregadas nas referidas fábricas mais de 800 pessoas. Esta última deixou de laborar em 1991, encerrando definitivamente em 1993.” In Museu dos Fósforos



Fábrica de Lanifícios de Lordelo

A Fábrica de Lanifícios de Lordelo ou Fábrica de Serralves, actualmente em ruínas, estava localizada  na rua de Serralves, freguesia do Lordelo do Ouro. Foi edificada em 1803, no lugar da Monteira ou Mouteira, por Plácido Lino dos Santos Teixeira. Devido à proximidade da quinta dos frades, alguns autores afirmam que a fábrica teria sido instalada nos edifícios de um antigo convento, mas no processo de licenciamento da fábrica de Plácido Lino dos Santos Teixeira apenas se faz referência aos campos que pertenciam aos frades e dos quais se pede adjudicação. 
Sondagens arqueológicas em 2007 detectaram a existência de três estruturas diferenciadas: Uma fábrica do século XX, uma fábrica do século XIX, a "fábrica de panos" e um reduto militar das guerras liberais, o Forte de Serralves, possivelmente no local da cisterna de abastecimento de água à fábrica do século XX.


O que resta da Capela de S. Francisco Xavier, na Rua de Serralves, em frente à fábrica de Lanifícios de Lordelo.




Palacete dos Viscondes de Vilar d’Allen - Foi mandado construir, nos últimos anos da década de 1920, pelo 3º Visconde de Vilar d'Allen, Joaquim Ayres de Gouveia Allen, para sua residência. O projecto foi concebido pelo arquitecto José Marques da Silva (1869-1947). Em 1991, foi construída, nos seus jardins, a Casa das Artes, projecto do Eduardo Souto Moura.


“Em 1 de Agosto de 1903, um grupo de ingleses e portugueses, mestres e técnicos da fábrica Graham, começaram a chutar uma bola, num terreno da Mazorra, hoje chamado Ciríaco Cardoso. O terreno era demasiado pequeno para o jogo, mas não era possível alargá-lo mais. Passado algum tempo mudaram-se para a Rua da Fonte Arcada, próximo do Bessa. Foi a partir deste momento que começou o verdadeiro entusiasmo pelo jogo da bola, que os ingleses trouxeram de Inglaterra. Forma-se então, um grupo de entusiastas, composto entre outros, por Harry, Chico Bastos, John Jones, Joaquim Ferreira, Manuel Ribeiro, Ângelo Seixas, Ricardo Costa, Frank Jess, Robinson, Holroyd e F. Brindle. Estes, juntamente com outros empregados da fábrica Graham, uniram-se e arrendaram um terreno no Bessa pertencente ao Sr. António Mascarenhas, o qual hoje é designado por Estádio do Bessa. É então formada uma Direcção composta por ingleses e três portugueses, que eram: Pedro Brito, Maximiano Pereira e João Fernandes. Constituída esta Direcção, organizavam-se vários desafios de "Foot Ball". Estava fundado o BOAVISTA FOOTBALLERS. No início de 1905, era já bastante grande o número de sócios ingleses e portugueses, que constituíam o BOAVISTA FOOTBALLERS. Foi nessa Direcção, por parte da fábrica Graham, resolvido não jogar aos domingos, do que resultaram várias desavenças. Os ingleses, como sucede ainda hoje no seu país, não estavam dispostos a realizar os jogos aos domingos, contrariando assim os desejos dos portugueses que pretendiam jogos nesses dias. Numa disputada Assembleia Geral, em 30 de Abril de 1909, reuniram-se todos os sócios para resolver a situação. Procedeu-se então à votação: jogos aos domingos ou jogos aos sábados. Venceram os votantes dos jogos aos domingos. Em face deste resultado, a Direcção inglesa (Graham) desistiu do campo do Bessa ficando a vigorar uma nova Direcção constituída por Pedro Brito, João Fernandes, Domingos Rodrigues, Maximiano Pereira e um senhor de apelido Faria, resultando assim, o BOAVISTA FUTEBOL CLUBE. Deste modo, com a saída dos ingleses, teve de ser feito novo contrato com o proprietário do terreno de jogos, Sr. António Mascarenhas, no qual assim ficou na história como primeiro Presidente da Direcção do Clube."


"A sequência dos equipamentos utilizados foi: 
1.º Camisa preta e calção branco.
2.º Camisa às riscas verticais pretas e brancas e calção preto.
3.º Camisa azul, vermelho e branco e calção preto.
4.º Camisa xadrez, calção preto e meia branca. 
O equipamento axadrezado apareceu quando Artur Oliveira Valença, presidente na altura, proprietário do jornal desportivo "Sports" e promotor de espectáculos desportivos, numa ida a França, observou uma equipa de futebol a jogar com camisola xadrez. Como a mesma respondia às cores preto e branco do Boavista, decidiu fazer a sua introdução no clube como o seu Equipamento oficial, que se mantém até hoje. 
Quanto às instalações, só uns anos depois se viram realizadas as maiores aspirações do Clube, com a inauguração das suas instalações desportivas em local próprio. Em 11 de Abril de 1910, foi inaugurado o campo do Boavista, ao Bessa. Presidiu ao festival o ilustre comandante da Guarda Municipal. O Porto elegante desse tempo, compareceu no Bessa, pelo desejo de assistir pela primeira vez a um jogo de futebol. A colónia inglesa representada em elevado número juntou-se aos seus amigos portugueses do Boavista. Para início da grande festa, apresentaram-se em campo as equipas do Boavista e do Leixões. Deu o pontapé de saída o Sr. António da Costa Mascarenhas, proprietário e presidente do campo inaugurado. Assistiram ao encontro cerca de duas mil pessoas, considerado na altura número de presenças recorde. O resultado seria um empate a três bolas. Integrado neste programa, realizaram-se ainda várias provas de atletismo e, à noite, num hotel, foi servido o banquete. 
É pois, o Boavista Futebol Clube, o mais antigo clube português de futebol, podendo afirmar-se que foi o primeiro clube português a introduzir o profissionalismo, em Janeiro de 1933. Mas a revolução que o facto produziu então no panorama do futebol português, com o clube "axadrezado" a derrotar todos os adversários, como o Benfica e o Sporting, provocou o fim da inovação. Com efeito, em face da sua inferioridade, os outros clubes decidiram boicotar o Boavista, alegando que não podiam jogar contra profissionais. O Boavista, afastado das suas competições oficiais, sem adversários para defrontar, teve de regressar ao amadorismo".


“A evolução do símbolo do Boavista passa por um escudo, rectangular, cujo campo é formado por treze quadrados pretos e doze brancos, dispostos em xadrez, encimado por uma faixa, de cor preta com as iniciais B.F.C., em branco, e uma coroa doirada, igual à que era usada no antigo brasão da Cidade. O escudo significa a muralha contra a qual se quebram o ímpeto e a valentia dos adversários, e a coroa o compromisso de bem honrar esta "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto".  In Boavista Karate

Assistência ao Concurso Hípico no Campo do Bessa em 1913



Originalmente inaugurado em 1972, o Estádio do Bessa foi reconstruído no início do século XXI, tendo sido palco de três partidas do Euro 2004.