sexta-feira, 22 de setembro de 2017

PESTE BUBÓNICA DE 1899 E DR. RICARDO JORGE - I

8.1.15 – Peste Bubónica de 1899 - Dr. Ricardo Jorge, Descoberta da peste bubónica, Equipa médica que dirigiu a luta contra peste bubónica, Cordão sanitário, Desinfecção dos focos de peste


Dr. Ricardo de Almeida Jorge

“A 4-7-1899 recebia eu um bilhete d'um negociante da rua de S. João, chamando a minha attenção para uns obitos que se tinham dado na rua da Fonte Taurina.
Mandei examinar á regedoria as certidões d'obito respectivas, que só tarde me costumam ser communicadas para o effeito estatistico; resavam ellas de molestias banaes. Apesar d'esta nocencia nosographica, mandei tomar informações no lugar por um empregado que voltou dizendo-me que tinham morrido pessoas e outras estavam doentes d'uma especie de febre com nascidas debaixo dos braços. Não se tratava pois da banalidade prevista, o que me resolveu a fazer uma visita pessoal á Fonte Taurina, onde com as informações colhidas e os doentes ainda presentes me convenci logo estar em frente d'um fóco epidemico de moléstia singular e nova. Caso anormal e grave, dei immediatamente conta do succedido ao snr. commissario geral de policia, como auctoridade sanitaria, ao snr. vereador do pelouro, como representante da administração municipal, e ao snr. director clinico do hospital para o internamento imediato e isolamento dos epidemiados.
Os serviços dependentes ou ligados á repartição de hygiene, como o da desinfecção e limpeza viaria, entraram sem demora em acção; e no dia seguinte acompanhava ao local o snr. inspector de policia Feijó e o sub-delegado de saude Joaquim de Mattos, sendo intimados os proprietarios e inquilinos ás beneficiações e limpezas das suas descuradas e imundas habitações, operações a que, diga-se de passagem, só procederam depois d'instancias repetidas.
A´ volta do fóco brotavam pouco e pouco casos suspeitissimos que me mantinham receioso, e não tardou o convencimento de que a peste avançava a passos lentos e espaçados, como é de seu uso e costume á primeira arremettida.
A 31-7 faziamos colheita fecunda, e dentro d'oito dias adquiria por mim a irrefragavel certeza de que tinha nos tubos de cultura isolado o puro e legitimo bacillo de Yersin. E d'essa convicção dei parte superiormente a 8-8. Submetti o achado ao meu companheiro e amigo Camara Pestana; devia-o á sua competencia magistral e á sua situação official á frente dos serviços bacteriologicos do paiz, A sua confirmação foi immediata.
As missões estrangeiras confirmaram totalmente, integralmente, tudo o que em materia de diagnostico e prognostico fora aventado pelo seu descobridor”. Texto de Ricardo Jorge de 20/9/1899 – In blogue Historinhasdamedicina


“Ao chegar à Europa, o bacilo teria a virulência reduzida, ou ratos e homens teriam adquirido defesas contra o mal. Ocorreram surtos limitados em Glasgow, Paris, Marselha, Barcelona, Açores e Madeira, mas o Porto foi a primeira cidade europeia a ser afectada e também aquela em que a peste mais vidas ceifou: 132, em 320 casos oficialmente registados”. In blogue Historinhasdamedicina.


“ Há precisamente 100 anos (1899) a cidade do Porto, ao ver desencadeado o último surto europeu de peste bubónica, a partir de um caso na Rua de Fonte Aurina, viu-se arrastado para uma das suas maiores crises de identidade. Desse momento difícil, causada mais pelo isolamento criado pelo cordão sanitário e pela humilhação da sua autonomia e direitos que pela virulência da epidemia, destacar-se-ia a notável intervenção do Dr Ricardo Jorge (1858/1839), chefe do Laboratório de Higiene Municipal, que identificou a doença com espantosa antevisão, e a consequente criação do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. 
Quando R. J. nega a versão, avançada com a primeira morte, de se tratar de uma variante da sazonal epidemia de tifo de Verão, identificando a peste bubónica…


Foto de Ricardo Jorge e sua equipa, de Aurélio Paz dos Reis:
1ª. da direita para a esquerda: Câmara Pestana, Albert Calmet, Ricardo Jorge e Ferrand.
2ª. fila – á direita – Balbino Rego e à esquerda Sousa Júnior


Ricardo Jorge com Balbino Rego, Sousa Júnior e peritos indicados pela Vereação do Porto

…acorrem ao Porto especialistas em parasitologia e microbiologia de todo o mundo. Trabalhando com R. J., o médico Câmara Pestana é contagiado e morre.


A Junta médica resolve então criar o cordão sanitário, em volta do Porto…
(notem a enorme extensão do cordão sanitário)




Photo Guedes


Desinfectando um caixão - photo Guedes


Foto Aurélio Paz dos Reis
 
…e inicia-se um enorme esforço de desinfecção, nomeadamente nas “ilhas” onde aparentemente, os casos se afirmavam. Para tornar o caso mais polémico poucos médicos concordavam com a identificação da peste…

terça-feira, 19 de setembro de 2017

REVOLTA DE 31 DE JANEIRO DE 1891 - IV

8.1.14 – Revolta de 31 de Janeiro de 1891 - Revoltosos presos em navios ao largo de Leixões, Conselho de Guerra a bordo do Índia, Licença de deportado em Angola, Poema de Guerra Junqueiro, Medalha em 31 de Janeiro de 1921, Fotografias do Porto antigo



Revoltosos presos a bordo do Índia



Santos Cardoso preso a bordo do Moçambique – A Revolta do Porto – João Chagas

Algumas centenas de revoltosos foram presos a bordo de navios ao largo do Porto, tendo cerca de 230 sido condenados a diversas penas. 

"Quarenta e oito horas depois da revolta, o governo fez publicar varios decretos com o fim, dizia elle, de supprir as deficiencias da legislação então vigente «provendo á necessidade de reprimir de prompto e punir com severidade os attentados commettidos contra a ordem publica, segurança do Estado e suas instituições». Por um d'esses decretos entregava á exclusiva competencia dos tribunaes militares, o conhecimento e o julgamento do crime de rebellião, aliás previsto e punido no codigo penal portuguez. Na cidade do Porto, não faltavam edificios onde podessem funccionar os conselhos de guerra nem cadeias onde acumular os individuos presos como implicados na revolta. Mas o governo receiou que a população se interessasse demasiadamente pelo espectaculo dos julgamentos e assim decidiu que os conselhos de guerra reunissem a bordo de navios de guerra.
Para esse effeito, collocaram no porto de Leixões o transporte India, a corveta Bartholomeu Dias, e o vapor da Mala Real, Moçambique, guarnecido com marinheiros da Sado. Como deposito de prisioneiros juntaram a estes tres navios um velho pontão incapaz de navegar. Para o Moçambique foram mandados João Chagas, Santos Cardoso, o capitão Leitão, tenentes Coelho e Homem Christo, as praças do regimento de caçadores 9 e os civis: Miguel Verdial, Felizardo de Lima, Santos Silva, o abbade de S. Nicolau (rev.º Paes Pinto), Eduardo de Sousa, Amoinha Lopes, Thomaz de Brito, Barbosa Junior, Alvarim Pimenta, José Durão, Pereira da Costa, Gomes Alves, Soares das Neves, Pinto de Moura, Pinto de Vasconcellos,{135} Aurelio da Paz dos Reis, Cervaens y Rodrigues, Feito y Sanz e Simões d'Almeida. Para a Bartholomeu Dias foram as praças de infantaria 18 e 10; para o India, o alferes Trindade e os{136} revoltosos da guarda fiscal. Mais tarde, o tenente Coelho passou do Moçambique para aquella corveta. Dos chefes civis do movimento, conseguiram expatriar-se o dr. Alves da Veiga, José Sampaio (Bruno) e Basilio Telles.


Conselho de Guerra a bordo do vapor Índia

Reunidos os conselhos de guerra, os julgamentos decorreram de tal modo que ninguem se illudiu sobre a sorte que estava reservada aos revoltosos. Sabia-se de antemão que sobre elles recahiria o peso d'uma forte condemnação e que quaesquer que fossem os incidentes revelados durante as sessões dos conselhos elles em nada alterariam a sentença já lavrada.
«O tribunal—affirmou-se mezes depois no manifesto dos emigrados da revolução—era uma tão evidente delegação do poder executivo que, em plena audiencia, um dos julgadores, nem sequer resguardando o melindre das conveniencias, declarou que não proseguiria n'um detalhe qualquer de juridicas investigações, em virtude de ordens superiores.
«Foi decerto tambem em virtude d'essas ordens superiores que os julgamentos se realisaram sobre o mar, acossado por uma invernia excepcional. Foi em consequencia d'essas ordens que succedeu que, uma tarde mais aspera, as vagas arrojaram contra os paredões do porto (Leixões) ainda em via de construcção, desamparado e á mercê, consequentemente, um dos navios ahi ancorados, persuadindo-se todos os habitantes do Porto que a verminada carcassa desfeita fôra a d'um dos pontões onde se mandara apodrecer os suppostos criminosos e assistindo-se então ao tremendo exemplo d'uma população de mães e esposas clamorosas accorrendo, em gritos de dôr, a olhar a perfida, movediça sepultura, onde repousariam, emfim, seus desditosos filhos, seus tristes esposos, a alegria{137} das suas almas, as esperanças de suas escuras existencias.
«Em virtude e consequencia d'essas ordens superiores foi que um dos navios de guerra (pois que se transformaram os maritimos gloriosos do glorioso Portugal passado em carcereiros dos que almejavam restituir a patria ao seu antigo esplendor) se desprendeu uma noite de tempestade e, com um condemnado a bordo, andou perdido, sem provisões e sem rumo, na serração, pela clemencia infinita das aguas.»


A Revolta do Porto – João Chagas


Terminados os julgamentos, os conselhos de guerra condemnaram na pena de prisão maior cellular (e, na alternativa, na de degredo): João Chagas, Santos Cardoso, Verdial, capitão Leitão, os sargentos Abilio, Galho, Silva Nunes, Castro Silva, Rocha, Barros, Pinho Junior, Fernandes Pinheiro, Gonçalves de Freitas, Villela, Pereira da Silva, Folgado, Figueiredo e Cardoso, os cabos João Borges, Galileu Moreira e Pires e o soldado da guarda fiscal Felicio da Conceição. O tenente Coelho foi condemnado a cinco annos de degredo. Aos restantes implicados couberam penas variaveis de deportação militar, degredo e prisão correccional.
Os regimentos de caçadores 9 e infantaria 10 tambem soffreram castigo exemplar: o governo dissolveu-os. E comtudo, em 1826, o primeiro de esses corpos, tendo-se revoltado contra o marquez de Chaves, que defendia o absolutismo do sr. D. Miguel, fôra aclamado fiel e até comtemplado com augmento de soldo...{138}. 
In "A Revolução Portugueza: O 31 de Janeiro (Porto 1891)", de Jorge Abreu.

Guerra Junqueiro cantou assim a Revolta do Porto:




Convite e condecoração comemorativa da revolta de 31 de Janeiro de 1891, criada em 1921 para ser atribuída a todos os veteranos envolvidos na intentona republicana ocorrida na cidade do Porto. Daí advém o título da mesma "Aos precursores da república na cidade do Porto"...em 1921 terão sido atribuídas ao todo 177 condecorações aos veteranos ainda vivos quer militares quer civis envolvidos.

Cinemateca Portuguesa – filme de 1927

A revolra do 31 de Janeiro - Prof. Fernando de Sousa – UP

Fotos do Porto antigo

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

REVOLTA DE 31 DE JANEIRO DE 1891 - III

8.1.14 – Revolta de 31 de Janeiro de 1891 - Rua de Santo António, Placa do 31 de Janeiro, Escadaria da Igreja de Santo Ildefonso, Lutas na Rua de Santo António, Monumento em homenagem dos mortos do 31 de Janeiro


Rua de Santo António em 1907

“No dia 31 de Janeiro de 1891, eclodiu no Porto um levantamento militar que, motivado e contrário à cedência do Governo e da Coroa ao Ultimatum de 1890 imposto pela Inglaterra, pretendeu instalar um governo provisório e chegou mesmo a proclamar a República na Praça da Liberdade.


A liderar e a impulsionar a então designada «Revolta do Porto», apoiando as forças reunidas e comandadas por capitão Amaral Leitão, alferes Rodolfo Malheiro e tenente Coelho, destacaram-se, entre outras consideradas figuras intelectuais da época, Alves da Veiga, Basílio Teles, João Chagas, Paz dos Reis, Sampaio Bruno e Verdial Cardoso.
Após empolgante percurso desde a actual Praça da República até à entrada na Praça da Batalha, os revoltosos foram inopidamente parados por um poderoso ataque da Guarda Municipal que, posicionada na escadaria da Igreja de Santo Ildefonso, abriu violenta descarga fuzilante sobre a multidão em marcha, tendo-se aí registado, entre mortos e feridos, à volta de meia-centena de vítimas, o que desde logo intimidou e obrigou à dispersão das hostes revolucionárias.
Em severo rigor repressivo, os implicados na gorada intentona, cerca de 700 revoltosos civis e militares, foram sumariamente julgados por Conselhos de Guerra instalados a bordo de navios estacionados ao largo de Leixões e sentenciados a penas que oscilaram entre 18 meses e 15 anos de reclusão.
Daqui e em memórica honra do ocorrido, logo que a República foi enfim decisivamente proclamada em 1910, entre as diversas ruas da cidade que tomaram o nome das mais importantes figuras revolucionárias, a rua de Santo António, que ascende da Estação de São Bento à Batalha, passou a chamar-se 31 de Janeiro.” Do J.N.


Placa evocativa da Revolta do 31 de Janeiro
Em 1940 o governo de Salazar decidiu retomar o nome a rua de Santo António, mas em 1974 voltou a denominar-se de 31 de Janeiro.



Portuenses junto das escadas da Igreja de Santo Ildefonso quando da visita de João Franco - 1907

“ A Guarda Municipal abrigada pelas varandas de pedra que guarnecem as escadas e patamares que dão acesso à Igreja de Santo Ildefonso … que permitem estabelecer como começou e desenvolveu o combate da Rua de Santo António… inesperadamente, e por via da falta de disciplina militar que a Polícia Fiscal não possuía, uma ou duas praças dessa polícia, saindo da forma fizeram 2 ou 3 tiros sobre a guarda municipal. O Major Graça (comandante da Guarda Municipal) … logo que ouviu aqueles tiros ordenou o toque de fogo às suas forças, reiterando-o, e mandando em seguida que se fizesse fogo vivo, pelo corneteiro sob as suas ordens…


Refeitos, porém, dessa desordem e do espanto que causara o início da luta, em pequenos grupos, ou isoladamente, os soldados da revolta começaram um fogo nutrido contra a Guarda Municipal… até que as munições se lhes esgotavam”. A Revolta do Porto de João Chagas e ex-Tenente Coelho. 


Quiosque do Sebastião – Photo Guedes



Tenente Manuel Maria Coelho – 1857/1943


In O Tripeiro, Série V, Ano II – Adriano de Sá


Tenente Alfredo José Durão – Adriano de Sá


In O Tripeiro, Série V, Ano II – Adriano de Sá


Monumento, no cemitério do Prado de Repouso, realizado pelo gravador de metais e escultor Manuel de Carvalho Figueira e que se ficou a dever a Aníbal Cunha e António José de Almeida, directores da Associação de Beneficência 31 de Janeiro (sociedade de solidariedade com os presos e suas famílias). Foi solenemente inaugurado a 31 de Janeiro de 1897.
Manuel de Carvalho Figueira idealizara inicialmente a figura de uma "República esboçada", porque "justificaria a última jazida daqueles que haviam começado uma República que não puderam concluir". Mas o artista morreu, muito novo, vitimado pela tuberculose, e a obra foi acabada por outros.


Monumento finalizado aos mortos do 31 de Janeiro no cemitério do Prado do Repouso – foto Eudora Porto.
Os números oficiais deram conta de 12 mortos e 40 feridos, embora os republicanos afirmassem que teriam sido 50 cadáveres os enterrados e muitos dos feridos tenham vindo a falecer depois. 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

REVOLTA DE 31 DE JANEIRO DE 1891 - II

8.1.14 – Revolta de 31 de Janeiro de 1891 - Aclamação da república na Praça D. Pedro, Bandeira da revolta, Tiroteio e luta na Rua de Santo António, Assistência aos feridos, Bombardeamento da câmara Municipal, Rodrigues de Freitas



Alves da Veiga proclamando a república da varanda da Câmara.

Os revoltosos descem a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, (hoje Praça da Liberdade), onde, em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal do Porto, ouviram Alves da Veiga proclamar da varanda a Implantação da República. Acompanhavam-no Felizardo Lima, o advogado António Claro, o Dr. Pais Pinto, Abade de São Nicolau, o Actor Verdial, o chapeleiro Santos Silva, e outras figuras. Verdial leu a lista de nomes que comporiam o governo provisório da República e que incluíam: Rodrigues de Freitas, professor; Joaquim Bernardo Soares, desembargador; José Maria Correia da Silva, general de divisão; Joaquim d'Azevedo e Albuquerque, lente da Academia; Morais e Caldas, professor; Pinto Leite, banqueiro; e José Ventura Santos Reis, médico.



Foi hasteada uma bandeira vermelha e verde, pertencente a um Centro Democrático Federal. Com fanfarra, foguetes e vivas à República, a multidão decide subir a Rua de Santo António,


em direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e Telégrafos.


No entanto, o festivo cortejo foi barrado por um forte destacamento da Guarda Municipal, posicionada na escadaria da igreja de Santo Ildefonso, no topo da rua. O capitão Leitão, que acompanhava os revoltosos e esperava convencer a guarda a juntar-se-lhes, viu-se ultrapassado pelos acontecimentos.


Recontro na Rua de Santo António


Partidários republicanos atirando de um telhado da Rua de Santo António



Em resposta a dois tiros que se crê terem partido da multidão, a Guarda solta uma cerrada descarga de fuzilaria vitimando indistintamente militares revoltosos e simpatizantes civis. A multidão civil entrou em debandada, e com ela alguns soldados.


Os mais bravos tentaram ainda resistir. Cerca de trezentos barricaram-se na Câmara Municipal, mas por fim, a Guarda, ajudada por artilharia da serra do Pilar, por Cavalaria e pelo Regimento de Infantaria 18, sob as ordens do chefe do Estado Maior do Porto, General Fernando de Magalhães e Menezes força-os à rendição, às dez da manhã. Terão sido mortos 12 revoltosos e feridos 40.
Alguns dos implicados conseguiram fugir para o estrangeiro: Alves da Veiga iludiu a vigilância e foi viver para Paris: o jornalista Sampaio Bruno e o Advogado António Claro alcançaram a Espanha, assim como o Alferes Augusto Malheiro, que daí emigrou para o Brasil.
Os nomeados para o "Governo Provisório" trataram de esclarecer não terem dado autorização para o uso dos seus nomes. 


Professor Rodrigues de Freitas

Dizia o prestigiado professor Rodrigues de Freitas, enquanto admitia ser democrata-republicano: "mas não autorizei ninguém a incluir o meu nome na lista do governo provisório, lida nos Paços do Concelho, no dia 31 de Janeiro, e deploro que um errado modo de encarar os negócios da nossa infeliz pátria levasse tantas pessoas a tal movimento revolucionário." 
A reacção oficial seria como de esperar, implacável, tendo os revoltosos sido julgados por Conselhos de Guerra, a bordo de navios, ao largo de Leixões: o paquete Moçambique, o transporte Índia e a corveta Bartolomeu Dias . Para além de civis, foram julgados 505 militares. Seriam condenados a penas entre 18 meses e 15 anos de degredo em África cerca de duzentas e cinquenta pessoas. Em 1893 alguns seriam libertados em virtude da amnistia decretada para os então criminosos políticos da classe civil. 
Em memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de Janeiro, passando a data a ser celebrada dado que se tratava da primeira de três revoltas de cariz republicano efectuadas contra a monarquia constitucional (as outras seriam o Golpe do Elevador da Biblioteca, e o 5 de Outubro de 1910). In Wikipédia

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

REVOLTA DE 31 DE JANEIRO DE 1891 - I

8.1.14 – Revolta de 31 de Janeiro de 1891 - Mapa Cor de Rosa, Ultimatum, Chefes da Revolta de 31 de Janeiro, Notícia de ultima hora às 4 da manhã.



O John Bull atira sobre Portugal e D. Carlos

No dia 31 de Janeiro de 1891, na cidade do Porto, registou-se um levantamento militar contra as cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique.


A 1 de Janeiro de 1891 reuniu-se o Partido Republicano em congresso, de onde saiu um directório eleito constituído por: Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, Homem Cristo, Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro e Magalhães Lima.
Estes homens apresentaram um plano de acção política a longo prazo, que não incluía a revolta que veio a acontecer, no entanto, a sua supremacia não era reconhecida por todos os republicanos, principalmente por aqueles que defendiam uma acção imediata. Estes, além de revoltados pelo desfecho do episódio do Ultimato, entusiasmaram-se com a recente proclamação da República no Brasil, a 15 de Novembro de 1889.


Figuras importantes dos revoltosos de 31 de Janeiro


Capitão Leitão – In A república Portuguesa – João Chagas


Augusto Alves da Veiga


Alferes Malheiro


Sampaio Bruno – A revolta do Porto - João Chagas


João Chagas em 1900 - Autor do livro A República Portuguesa

As figuras cimeiras da "Revolta do Porto", que sendo um movimento de descontentes grassando sobretudo entre sargentos e praças careceu do apoio de qualquer oficial de alta patente, foram o capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de vultos eminentes da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros.


Quartel de Santo Ovídio em 1910




Campo da Regeneração em 1820, depois de Santo Ovídio e agora Praça da República

A revolta tem início na madrugada do dia 31 de Janeiro, quando o Batalhão de Caçadores n.º 9, liderados por sargentos, se dirigem para o Campo de Santo Ovídio, hoje Praça da República, onde se encontra o Regimento de Infantaria 18 (R.I.18). Ainda antes de chegarem, junta-se ao grupo, o alferes Malheiro, perto da Cadeia da Relação; o Regimento de Infantaria 10, liderado pelo tenente Coelho; e uma companhia da Guarda Fiscal. Embora revoltado, o R.I.18, fica retido pelo coronel Meneses de Lencastre, que assim, quis demonstrar a sua neutralidade no movimento revolucionário.


Anúncio às 4 horas da manhã no “A Republica Portuguesa” – in A Revolta do Porto de João Chagas