quinta-feira, 22 de junho de 2017

INVASÕES FRANCESAS V

8.1.10 – Invasões Francesas - Segunda Invasão IV - Mapa das defesas dos franceses, General Arthur Wellesly, Proclamação de Wellesly, Exército anglo-luso atravessa o Douro, Fuga dos franceses para a Galiza, Doentes franceses deixados no Porto, Senhor de Matosinhos


Como acima referimos, os franceses destruíram a Ponte das Barcas em 12 de Maio de 1809, com receio de que o exército anglo-luso invadisse o Porto, atravessando-a. A linha verde, neste mapa, indica a linha de defesa de Soult à volta do Porto, com vigias intervaladas de 25 metros. Ia da Foz do Douro e, passando por Aldoar, Monte Pedral e Aguardente (Praça. Marquês de Pombal), terminava na zona do Seminário (Colégio dos Órfãos). 
A vermelho está indicado o trajecto de Murray e o local onde os anglo-lusos atravessaram o Douro, perto do Freixo, donde não eram avistados pelas tropas francesas sediadas no Porto.


General Arthur Wellesly – Duque de Welligton




Seminário visto da Ponte Maria Pia



Medalha Comemorativa da travessia do Douro
Anverso – Arthur of Wellington
Reverso – Passage of the Douro – 1809
Rio Douro representado por um velho de barbas


Na noite de 11 para 12 de Maio, os portugueses apoderam-se de quatro barcos rabelo que estavam na margem norte em poder dos franceses. Transportaram os barcos para a margem sul, onde os britânicos entram a bordo, atravessando assim o rio às primeiras horas da manhã, sob o comando de Hill. Não foram imediatamente identificados pelos franceses, que os tomaram por tropas suas aliadas, dando tempo a que os ingleses transportassem homens e material, reforçando a sua testa-de-ponte a Norte do Douro. Identificados como inimigos, os franceses marcham sobre os ingleses, mas estes contaram com o apoio da artilharia que se encontrava na Serra do Pilar, entretanto abandonada pelos franceses, e que disparava contra as forças francesas, por cima das posições britânicas.
Com o ataque, os residentes da cidade começaram a transportar militares de sul para norte e ao mesmo tempo, a brigada de Murray começara a atravessar o rio mais a montante, preparando-se para atacar também o flanco esquerdo das defesas francesas. Com a passagem do rio por parte das forças de Wellesley, os franceses consideraram que estavam em desvantagem táctica e Soult dá ordem para os franceses retirarem do Porto. As forças aliadas sofreram 150 baixas contra 600 dos franceses, a que se juntam mais 1500 feridos que foram abandonados nos hospitais da cidade.



Fuga dos franceses – 1809 – legenda “Fugida de Soult da cidade do Porto, Welleslei persegue o exercito francez; o qual na fugida que faz, abandona a sua artilharia; centos de francezes se entregão prizioneiros ao exercito portuguez”


História de Portugal de Artur de Magalhães Basto


In As populações a Norte do Douro e os franceses em 1808 e 1809 – Carlos Azeredo

O paisagista francês Le Notre qualificou esta vergonhosa fuga de "GLORIOSA RETIRADA"

“Como quer que seja, com ou sem culpas do Duque da Dalmácia (para Le Noble, Soult, como dissemos, não merece senão elogios), a verdade é que o Marechal teve que retirar precipitadamente do Porto, não sem antes destruir tudo o que pudesse atrasar a marcha (incluindo o produto de saques e património valioso roubado aos portugueses durante a campanha), optando por romper pelo Vale do Sousa e reunindo os corpos do seu exército lá mais adiante nos altos de Guimarães, seguindo por Póvoa de Lanhoso, Salamonde, Misarela, Peneda, atingindo terras da Galiza em 19 de Maio. A decisão de avançar para Lugo teve em conta informações sobre a localização do general Ney e o cerco que naquela cidade padecia uma guarnição francesa”. Prof. Francisco Ribeiro da Silva


Apesar de tantos sofrimentos e tragédias que os portuenses passaram…os doentes franceses, abandonados por Soult…



“Senhor de Matosinhos que Vos dignastes excluir já três vezes do Nosso Pais o Inimigo declarado da nossa felicidade, sêde Nosso Amigo sempre contra este Perseguidor astuto do Gênero humano: fazei ver mil vezes a todo o mundo que só Vós sois o Senhor dos exescitos, e das Victorias, para glória do Vosso Poder, e benefício dos Portugueses, que tem sido objecto particular das Vossas Misericordias.” 
Os generais franceses Quesnel (1808) e Soult (1809) foram visitar o Senhor de Matosinhos para mostrar ao povo do Porto a sua boa vontade e não violência… diremos melhor, para fazer a sua promoção na esperança de apaziguar e conquistar a confiança do povo.


Em 1813 o Príncipe Regente D. João premiou o Porto com uma alteração no seu brasão, “pela Honra, Valor e Fidelidade” nos pavorosos tempos das Invasões Francesas, “acrescentando-lhe, sobre cada uma das duas torres, um braço armado sustentando um a bandeira das armas reais e o outro uma espada enramada de loiros”
Esta pedra encontra-se no Museu Soares dos Reis e pertenceu a uma fonte que existiu na Praça da Batalha.

Invasões Francesas – Vídeo – A Alma e a Gente – José Hermano Saraiva – 4-10-2010

A Invasão de Soult e A Reconquista de Chaves aos Franceses. Uma análise operacional.
https://www.revistamilitar.pt/artigopdf/509

segunda-feira, 19 de junho de 2017

INVASÕES FRANCESAS IV

8.1.10 – Invasões Francesas - Segunda Invasão III , Carta de oficial inglês, Dificuldades do Porto sob o comando de Soult, Exército anglo-luso passa o Rio Douro na zona do Seminário e do Freixo, Wellesley entra no Porto em 12/5/1809


Desastre da Ponte das Barcas – desenho alegórico a Nicolau Trant por José Teixeira Barreto, representando a cidade do Porto agrilhoada, recusando-se aceitar a bandeira francesa.


Carta de um oficial inglês datada de Coimbra em 2 de Abril de 1809. Descreve o que assistiu da entrada do exército francês no Porto - In portoantigo.org


Generais do exército português em 1808


Entretanto Soult fez reunir, no Palácio dos Carrancas onde morava, todas as forças vivas da cidade, desde os mais importantes até aos representantes do povo e disse-lhes da sua vontade de se fazer rei de Portugal, com o nome de Nicolau I. (Alfredo Alves – O Tripeiro, Volume 1, pág. 62)

A 6 de Maio começou a correr um vago rumor de que tropas anglo-lusas se aproximavam do Porto. Os patriotas portuenses exultavam e começaram a acreditar que o fim da tragédia estaria perto.


Exército luso-britânico atravessando o Douro perto do Seminário - 12/5/1809



Entrada do Cemitério do Prado do Repouso, antiga Quinta do Prado pertencente ao bispo do Porto


Henri L'Evêque - Passage of the Douro, by the Division, under the Command of Lt. Genl. Sir John Murray, engraved by C. Heath,



“Restauração do Porto – Pello exercito combinado Portuguez.e.Inglez effeituada pella rapida e valerosa passgem do Rio Doiro commandada pelo Exmº. Snr. Marechal General Wesllesley em 12 de Maio de 1809”
Gravura de Manuel da Silva Godinho (1751-1809) que representa a travessia do Douro pelas forças britânicas. Arquivo Histórico Militar PT 


In As populações a Norte do Douro e os franceses em 1808 e 1809 – Carlos Azeredo

quinta-feira, 15 de junho de 2017

INVASÕES FRANCESAS - III

8.1.10 – Invasões Francesas - Segunda Invasão II, Defesas do Porto em 1809, Entrada em saque dos franceses, Desastre da Ponte das Barcas, 


Defesas do Porto na segunda invasão - 1809

Soult acampou em S. Mamede de Infesta. No Porto estavam ainda em curso as obras de defesa, com 20.000 homens apoiados por 35 baterias dispostas ao longo de uma linha que ia de Campanhã à Foz: baterias da Foz (1), Lordelo (2), Ramalde (3), Prelada (4), Glória (5), Monte Pedral (6), Lapa (7), Aguardente (8), Lindo Vale (9), Sério (10), Póvoa de Cima (11), Quinta dos Congregados (12), Cativo (13), Bonfim (14) e Campanhã (15). No dia 29 o inimigo efectuou o ataque final, entrando pelas baterias de Aguardente e de Monte Pedral, e a cavalaria pela de S. Barnabé (Prelada), dirigindo-se rapidamente para a Ribeira.


Pormenor do quadro existente na Capela de S. José das Taipas sobre o desastre da Ponte das Barcas


Pinheiro Chagas


O General Brum, testemunha deste trágico acontecimento descreve-o assim:



Ribeira e Ponte das Barcas - 1806/1809




Artur de Magalhães Basto – in O Tripeiro, Série V, Ano XII


H. L’Evêque. London . 1817

Ponte das Barcas – 14 de Agosto de 1806 a 12 de Maio de 1809 – Dado não termos encontrado qualquer gravura que garantisse ser da ponte de 1806, onde se deu o desastre, colocámos a gravura de 1817. Segundo José António Monteiro de Azevedo,na sua “Descripção Topográphica de Vila Nova de Gaia”, contemporâneo da ponte inicial, esta “vistosa ponte, única no seu género em Portugal, e que se compõe de 33 barcas. Tendo perto de 1000 palmos de extensão, é talvez a obra mais útil de quantas se têm feito no Porto, tanto pelo prazer do passeio que ela inspira e comodidade que presta aos viajantes, como porque, a exemplo da de Ruão, sobe e desce com as marés, abre-se e fecha-se para dar trânsito às embarcações maiores e finalmente desmancha-se e restabelece-se, quando as vicissitudes do rio o exigem. É incrível o concurso do povo que diariamente passa por esta ponte, sobretudo às terças e Sábados de cada semana. Basta dizer que sendo os preços de passagem os mais cómodos e sendo isenta de paga a tropa e pessoas que vão a diligências, assim mesmo, regularmente falando rende por dia 50$000.” A tabela em referência era às taxas seguintes, que duplicavam depois do pôr do Sol: Cada pessoa a pé - 5 reis; cada pessoa a cavalo – 20 reis; carros de bois de uma junta – 40 reis; por cada junta a mais – 20 reis; cadeirinhas de mão – 60 reis; liteiras – 120 rei; seges de duas rodas – 160 reis; seges de quatro rodas – 200 reis." - In O Tripeiro VI série, ano III, pág. 171.
A ponte de 1806 foi destruída pelos franceses em 12 de Maio de 1809 com receio de que o exército anglo-luso a atravessasse para o Porto.


O desastre da Ponte das Barcas - quadro pintado a óleo sobre cobre, existente na Capela de S. José das Taipas. Este quadro esteve na Ribeira, no local onde hoje se encontram as alminhas abaixo.


Alminhas da ponte – Teixeira Lopes (pai)

“ …Às 9 horas da manhã do dito dia 29 de Março (1809) rompeu o inimigo pela trincheira de Santo António fabricada no Monte Pedral e logo por quase todas as partes descarregaram com tanto ímpeto sobre a cidade que atropelaram um número incalculável de povo que, afiançado nas disposições das trincheiras se não tinha prevenido para a fuga; foi grande a mortandade e muito mais na ponte do Douro, onde uns foram atropelados, outros afogados…” Memórias do Convento de Nossa Senhora do Carmo.
O povo assustado, por causa dos relatos vindos do Minho referentes às atrocidades cometidas, fugiu em massa pela ponte das barcas com a intenção de se refugiar em Gaia. Porém a ponte, não aguentando o peso, afundou-se levando à morte de mais de 4.000 pessoas. Há quem afirme que foram mais de 10.000. Muitas pessoas em fuga atiraram-se ao rio por verem que seria impossível atravessar a ponte.


Afogamento de mãe e filho no Douro em 29/3/1809 – pormenor do monumento à Guerra Peninsular


Portuenses morrem afogados no Rio Douro - pormenor do Monumento à Guerra Peninsular


A GRANDE CATASTROPHE DA PONTE DAS BARCAS
Cópia de uma aguarella, não concluída, do pintor portuense António Simões Pereira de Vasconcellos, testemunha presencial da tragédia e avô do nosso colaborador artístico Sr. Eduardo da Fonseca Vasconcellos

A Igreja/Capela de S. José das Taipas começou a ser construída em 1795, mas só foi concluída em 1878, devido às condições políticas do séc. XIX e à falta de verbas. O projecto inicial foi do Eng. Carlos Amarante, mas foi alterada, em parte do seu interior, à medida que os anos passavam. 
Desde 1634 a Irmandade de S. Nicolau Tolentino e Almas, que era dos bacalhoeiros, esteve sediada na Igreja de S. João Novo . Em 1780, devido a desinteligências, esta irmandade deixou aquela igreja e passou para a Capela de S. José das Taipas, na Rua das Taipas, da família dos Pacheco, tendo-se fundido com a Irmandade de S. José das Taipas, passando a denominar-se Confraria das Almas de S. José das Taipas. Foi a partir desta fusão que se decidiu a construção da nova capela, na Rua do Calvário. 
A esta confraria foi entregue pelos moradores da Ribeira, em 1810, o sufrágio das almas dos mortos no desastre da Ponte das Barcas do dia de 29 de Março de 1809. Tinha o encargo de ter sempre 2 velas acesas no local do desastre, recolher as esmolas e, no dia do aniversário, sufragar as almas das vítimas com missas e uma procissão que ia até à Ribeira, acompanhada de música. Este encargo trouxe à confraria uma grande simpatia e consequente aumento de esmolas. Estes rendimentos, acrescidos da percentagem dos lucros da venda do bacalhau, permitiu que se construísse a capela com a grandiosidade que hoje tem. Tem 4 altares laterais dedicados a Nossa Senhora das Dores, da Saúde, da Conceição e de Santo António. 


O povo ainda hoje venera esta memória, rezando pelos mortos e colocando velas.